Sucessão estadual no Ceará entra no radar de Lula diante de possível retorno de Ciro Gomes ao jogo

Blog do  Amaury Alencar
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Foto: Reprodução

 A sucessão estadual no Ceará começa a ganhar contornos estratégicos e deve ocupar lugar central no tabuleiro político nacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para aliados do Planalto, o Ceará tende a ser tratado como uma das prioridades do Nordeste em 2026, especialmente se Ciro Gomes (PSDB) decidir disputar o Governo do Estado, consolidando uma aliança com setores do União Brasil, do PL e da base bolsonarista.

CRÍTICO AO PT

Desde o retorno de Lula ao Palácio do Planalto, em janeiro de 2023, Ciro Gomes tem se colocado como um dos críticos mais duros do governo petista. O ressentimento político remonta às disputas presidenciais, quando Ciro acreditava ter direito ao apoio do PT para disputar o Planalto — algo que nunca se concretizou. Preterido, ele passou a mirar novamente o Ceará como campo principal de enfrentamento político.

Agora filiado ao PSDB, Ciro reorganiza suas alianças no estado e amplia o diálogo com forças de oposição ao PT, atraindo apoios do bolsonarismo e intensificando ataques às gestões petistas no Ceará e ao próprio governo Lula. Esse movimento acendeu o alerta máximo no Planalto e na direção nacional do PT.

CAMILO, GOVERNADOR?

Diante desse cenário, cresce nos bastidores a articulação para que Camilo Santana, atual ministro da Educação e senador com mandato até 2030, seja convencido por Lula a disputar o Governo do Ceará em 2026.

A avaliação é de que Camilo reúne densidade eleitoral, liderança política e capital simbólico suficientes para enfrentar Ciro Gomes em uma disputa direta.

COMPOSIÇÃO MAIS AMPLA

Essa estratégia envolveria uma composição delicada dentro da base governista estadual. Pelas leituras internas, Elmano de Freitas não disputaria a reeleição e permaneceria no cargo até o fim do mandato, em 31 de dezembro de 2026, abrindo espaço para a candidatura de Camilo Santana sem provocar rupturas internas. Pessoas próximas ao governador destacam que Elmano é “homem de partido e de grupo” e compreende que a prioridade é manter o projeto político no comando do Estado.

As informações que circulam nos bastidores indicam que Elmano não veria esse movimento como sacrifício pessoal, mas como decisão estratégica.

A lógica seria simples: quem estiver em melhores condições de vencer a eleição será o candidato. Nesse contexto, Camilo desponta como o nome mais competitivo para enfrentar Ciro, seu crítico mais severo nos últimos anos.

LULA NO CEARÁ

Outro elemento que reforça essa articulação é a disposição do próprio presidente Lula de desembarcar no Ceará para participar ativamente da campanha, caso Ciro entre na disputa.

Entre petistas, a avaliação é clara: derrotar Ciro Gomes no Ceará tornou-se uma questão de honra política para Lula, após anos de ataques sistemáticos ao PT, mesmo quando o PDT ainda integrava formalmente a base do governo federal.

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