Faleceu na madrugada desta quinta-feira, 05 de março, aos 101 anos, Almina Arraes de Alencar Pinheiro, uma das figuras mais respeitadas da sociedade de Crato, reconhecida por sua inteligência, espírito inovador e importantes contribuições à educação e à cultura.
Dona Almina nasceu em 03 de agosto de 1924, na cidade de Araripe, filha de José Almino de Alencar e Silva e Maria Benigna Arraes de Alencar. Em 1928, sua família mudou-se para o Crato em busca de melhores oportunidades de estudo para os filhos. Ela estudou em instituições tradicionais como o Colégio Santa Teresa de Jesus e concluiu sua formação na Escola Normal Rural de Limoeiro do Norte, destacando-se como oradora e aluna com as melhores notas da turma.De volta ao Crato, exerceu o magistério até o nascimento dos filhos, frutos do casamento com César Pinheiro Teles, com quem formou uma família com seis filhos.
Dona Almina também teve papel importante na história da literatura nordestina ao registrar, em cadernos, versos ditados pelo poeta Patativa do Assaré. Esses manuscritos contribuíram para a publicação do primeiro livro do poeta, “Inspiração Nordestina”, lançado em 1953.
Mesmo na maturidade, manteve um espírito inquieto e criativo. Aos 83 anos, fez curso de informática e chegou a produzir uma cartilha ensinando idosos a usar a internet. Também dedicou-se à pintura, produzindo mais de 100 quadros, além de desenvolver iniciativas solidárias para ajudar mulheres rendeiras do Ceará.
Nos últimos anos, mesmo após os 90 anos, continuou realizando experiências em seu jardim com polinização de plantas e criação de codornas, demonstrando uma curiosidade intelectual rara.
Dona Almina deixa um legado de cultura, generosidade e sabedoria, sendo lembrada como um verdadeiro patrimônio humano da cidade do Crato, exemplo de vida dedicada ao conhecimento, à família e ao bem comum.