
Apoiadores de uma candidatura de Ciro Gomes (PDT) ao Governo do Estado nas eleições de 2026 têm minimizado as recentes investidas em partidos políticos feitas pelos governistas do Ceará e reafirmam a aposta no ex-ministro para liderar o bloco da oposição na disputa do ano que vem.
Na semana passada, Ciro demonstrou insatisfação e incertezas sobre os rumos da oposição no estado ao dizer que seu atual partido, o PDT, foi “foi vendido para o PT”, o que poderia acabar inviabilizando uma possível candidatura sua no embate contra a provável candidatura à reeleição do governador Elmano de Freitas (PT).
Para o deputado estadual Antônio Henrique (PDT), o descontentamento de Ciro já é notório e a possibilidade de ele ser candidato no atual partido já é vista como improvável, pois o PDT aderiu, em junho, à base do governador Elmano de Freitas (PT). O ex-ministro já estaria com filiação acertada para o PSDB, segundo o presidente estadual da legenda tucana, Ozires Pontes já afirmou, mas o próprio Ciro ainda não confirma a mudança. Deputados estaduais do PDT também avaliam deixar o partido na janela partidária do próximo ano.
“Obviamente, a gente já sabe que é pouco provável que ele (Ciro) seja candidato dentro do PDT, mas isso não quer dizer que a candidatura dele não venha a acontecer. Existem outros partidos que receberiam o Ciro de braços abertos como o União Brasil, como o PSDB, em que o Ciro já foi filiado no passado”, comentou Henrique.
O deputado criticou as investidas do governo, mas disse ver como natural as tentativas de atração de partidos que estão fora da sua base atualmente, levando “todo mundo para debaixo de suas asas”.
“O PDT hoje está lá, debaixo do governo. Então, querem puxar o União Brasil também oferecendo uma vaga de senador para um filiado do partido aqui do Ceará, promessa essa que já foi feita para vários outros partidos e lideranças políticas do Ceará. Então, eu acho que eles têm é medo do enfrentamento”.
A aposta dos oposicionistas que defendem a candidatura de Ciro no Ceará é que, apesar dos recuos, ele irá acabar aceitando o “desafio” e liderar a chapa da oposição.
O grupo do governo estadual também busca o União Brasil e, consequentemente, a União Progressista Brasileira (UPB), federação formada por União e PP, para apoiar o governador Elmano de Freitas. Sobre isso, conforme Ciro, o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), negocia com o União o comando do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), o que poderia “tirar” também essa sigla da oposição no Ceará.
O União é, inclusive, o partido ao qual o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, que também é cotado como pré-candidato a governador, anunciou que se filiaria depois de deixar o PDT.
Ainda assim, integrantes do União no Ceará mantêm os convites para que Ciro, RC e outros aliados se filiem ao partido.
Sobre os rumos do União e da federação, o deputado estadual Felipe Mota (União Brasil) reafirmou que serão as Executivas Nacionais que terão a palavra final. No Ceará, a UPB tem uma indefinição, pois ela abriga membros da base e da oposição ao governo estadual. “Quem insistir em bravatas, em bravuras, em dizer que o partido fica com isso ou aquilo, tá blefando, tá mentindo pro eleitor, tá enganando o cidadão, porque o que existe hoje é uma eleição nacionalizada, polarizada e aguardamos as decisões dos dois campos para saber o que se soma”.
A oposição também quer atrair outros partidos que hoje são aliados do PT no estado, principalmente aqueles de centro. A aposta dos oposicionistas é que as lideranças e os partidos que ficarem de fora de espaços importantes na chapa do governo, em especial, das vagas do Senado, fiquem insatisfeitas e, assim, possam romper a aliança.