O Nordeste brasileiro é alvo do radar político nacional. O governo Bolsonaro está traçando agenda para a região. Não tem projeto novo, a meta é concluir obras inacabadas dos governos de Lula, Dilma e Temer. Segundo o ministro Rogério Marinho, são 4.700 nos nove estados cobertos pela Sudene e BNB.

Na sua 16ª Viagem ao Nordeste, o presidente, mais uma vez, fez festa. Prometeu engordar o valor do Bolsa Família, que passa a se chamar "Renda Cidadã", e vai incluir mais 10 milhões de beneficiários. Bolsonaro está apaixonado pela popularidade no Nordeste, financiada pelo dinheiro público e impulsionando seu crescimento nas pesquisas.

Do ponto de vista político, ele tenta massacrar seus adversários. Os governadores e prefeitos da região estão sendo condenados ao isolamento. Mas, as grandes estrelas são o alvo do presidente. O Nordeste é território de Lula e Ciro, adversários diretos. O derrame de dinheiro pode inverter a rejeição, facilitando a reeleição .

A virada de chave de Bolsonaro para a região  foi tão grande, que o presidente acatou a indicação do nordestino Kássio Nunes para o Supremo Tribunal Federal (STF). Ele foi nomeado pela ex-presidente Dilma para o cargo de desembargador federal. Sua mulher foi assessora do governador petista do Piauí, Wellington Dias. Kássio tem fama de juiz dedicado. Julgou uma média de 600 processos, por dia. A seu favor, tem, ainda, o fato de ser bem relacionado no Senado e no próprio STF. O azarão surpreendeu o mundo jurídico e político de Brasília. Sua indicação tem mais de política do que de sabedoria jurídica.

Mas, onde anda a oposição? Bolsonaro, a partir da aproximação com o centrão, se movimenta com habilidade. Rodrigo Maia decidiu reativar o Congresso Nacional só após a eleição municipal. A desmobilização política em Brasília deu espaço para Bolsonaro abrir asas sobre o Planalto e o país. O presidente está dando as cartas. A oposição não tem microfone, não tem como reverberar, face à desmobilização. A incompetência para combater a direita e o centrão fica evidente, a cada dia. Não se fala mais nada sobre erros do governo.

Ciro Gomes e Lula são as duas únicas vozes que se rebelam e mantém viva alguma trincheira da oposição. Suas vozes se perdem, diante da avassaladora agenda de Bolsonaro. O presidente ocupa todo espaço na mídia, na opinião pública.

Se dominar o Nordeste, o presidente Bolsonaro não só terá uma reeleição facilitada, como poderá consolidar um projeto amplo de direita e conservador. Criar um ciclo de poder, como fez o PT, até ser fulminado pela Operação Lava Jato.

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