
O Nordeste registrou a saída de 93.759 consumidores do cadastro de inadimplentes em maio, segundo o novo Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa. Dos nove estados da região, seis apresentaram redução no número de pessoas negativadas, indicando uma melhora no quadro financeiro de parte das famílias nordestinas.
O Ceará liderou o movimento regional, com 48.381 consumidores que conseguiram regularizar suas pendências financeiras e deixar os cadastros de inadimplência. O resultado foi o maior do Nordeste e a segunda maior redução entre todas as unidades da Federação, atrás apenas de São Paulo, que retirou 60.022 pessoas da condição de negativadas.
Os números regionais acompanham uma desaceleração do avanço da inadimplência observada no país. Embora o total de consumidores com contas atrasadas ainda tenha aumentado nacionalmente, 14 das 27 unidades federativas registraram redução no volume de pessoas negativadas em maio.
Para a diretora da Serasa, Aline Maciel, a diminuição do ritmo de crescimento está relacionada ao avanço das renegociações de dívidas. “Apesar de ainda vermos um crescimento na inadimplência, os dados indicam uma desaceleração importante frente aos meses anteriores e mostram um reflexo positivo do crescimento recente nas negociações de dívidas”, afirma.
A executiva ressalta, entretanto, que a regularização das pendências deve ser acompanhada por uma reorganização do orçamento doméstico. “Apesar do alívio que a negociação de dívidas traz ao brasileiro, sempre reforçamos que esse momento deve motivar uma organização financeira familiar para evitar uma nova inadimplência”, acrescenta.
Brasil
Em todo o Brasil, 113 mil novos CPFs foram incluídos nos sistemas de negativação em maio. O crescimento foi de 0,14% em relação ao mês anterior, o menor percentual registrado desde o início de 2026.
A desaceleração sugere que as ações de renegociação e a melhora observada em determinados estados começaram a limitar o aumento do número de consumidores inadimplentes. O resultado, porém, ainda não representa uma reversão do quadro nacional, já que o estoque de dívidas permanece elevado.
Os brasileiros acumulam 344 milhões de débitos negativados, que somam mais de R$ 574 bilhões. O valor médio devido por consumidor alcançou R$ 6.877,23, evidenciando o peso das obrigações financeiras sobre o orçamento das famílias.
Para a líder do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF-CE), Darla Lopes, em tempos de crise, o maior inimigo das finanças familiares é o pânico, que gera decisões reativas e prejudiciais. “A educação financeira capacita as famílias a construírem resiliência financeira. Isso se traduz na criação de uma reserva de emergência e na capacidade de readequar o orçamento rapidamente. Na prática, ela desmistifica o crédito fácil, como o cartão e o cheque especial, mostrando que ele não é renda, mas um dinheiro alugado muito caro. Sob a ótica da sustentabilidade, a educação financeira introduz o consumo consciente: o cidadão aprende a avaliar o impacto de longo prazo de suas escolhas, blindando seu orçamento antes que as dívidas comecem”.