
A retomada do ritmo corporativo no início do ano, com metas redesenhadas e equipes reorganizadas, costuma aquecer a busca por profissionais em diferentes segmentos. Mas o mesmo movimento que abre vagas também expõe um gargalo crescente no mercado de trabalho: encontrar candidatos disponíveis e, sobretudo, alinhados ao perfil e às exigências das funções. Em vez de um problema pontual, empresas vêm tratando o tema como uma variável de competitividade, capaz de afetar produtividade, qualidade do serviço e até a capacidade de crescer.
No Ceará, um retrato desse desafio aparece com força no setor de alimentação fora do lar. Bares e restaurantes acumulam atualmente cerca de 5 mil vagas em aberto no Estado, volume que tende a pressionar ainda mais a operação nos períodos de alta demanda. Para a presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel), Taiene Righetto, preencher os postos é condição básica para manter o funcionamento e a experiência do cliente. “A mão de obra é essencial para o setor de bares e restaurantes. Quando essas vagas não são preenchidas, há impacto direto na operação, no atendimento e na experiência do consumidor, especialmente em datas sazonais como foi o Carnaval, quando o fluxo de clientes aumentou consideravelmente”, afirma.
O dirigente ressalta que o obstáculo não termina na abertura de oportunidades. “As empresas precisam se organizar para contratar com antecedência e buscar profissionais que tenham interesse em permanecer, reduzindo a rotatividade, que ainda é um dos principais gargalos do setor”, completa.
Para organizações especializadas em recrutamento, o começo do ano é justamente o momento de revisar método e calibrar processos, evitando o efeito “contrata para ontem” que, frequentemente, resulta em erros e recontratações.
A diretora geral do Grupo Controller, Solange Marinho, avalia que a sazonalidade de demandas se repete ano após ano, mas pode ser enfrentada com seleção mais estruturada e conectada às metas do negócio. “É comum que as empresas iniciem o ano com várias demandas de contratação, seja para recompor equipes, seja para atender a novos projetos. O desafio está em fazer esse movimento de forma planejada, evitando decisões apressadas que podem resultar em contratações equivocadas”, explica.