Lideranças nacionais do PP e do União Brasil já admitem, nos bastidores, a possibilidade de não apoiar oficialmente nenhum candidato à Presidência da República nas eleições deste ano.
A estratégia em análise prevê a liberação dos filiados e diretórios estaduais para que escolham, conforme a realidade política local, entre apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.
OPOSIÇÃO X SITUAÇÃO
A discussão ganhou força diante da divisão interna das bancadas das duas siglas, que reúnem parlamentares tanto aliados quanto opositores ao governo Lula.
Deputados federais que buscam a reeleição pressionam as cúpulas partidárias por maior autonomia nos estados, o que tem levado as lideranças nacionais a considerar um modelo mais flexível de alianças.
Um eventual apoio formal a Flávio Bolsonaro, de acordo com informações de bastidores, dependeria de uma condição central: que ele se viabilize como candidato do campo do centro-direita, e não como representante da extrema direita. Caso contrário, a avaliação é de que sua candidatura serviria apenas para defender o legado do ex-presidente Jair Bolsonaro, sem competitividade real.
NEUTRALIDADE AJUDA LULA
Esse cenário, na prática, favorece Lula, já que a dupla PP–União Brasil concentra forte estrutura política, com amplo tempo de TV, cerca de R$ 1 bilhão em recursos dos fundos partidário e eleitoral, além de um robusto exército de cabos eleitorais formado por prefeitos, governadores, deputados e vereadores — ativos decisivos em uma eleição presidencial.
Os rumos definidos pelas cúpulas nacionais do União Brasil e do PP terão reflexo nos Estados. No Ceará, o PP integra a base de apoio ao Governo Elmano e, sob o comando do Secretário de Cidades, Zezinho Albuquerque, manterá aliança com o PT.
O União Brasil enfrenta divisões internas, sendo que, nesse momento, a ala de oposição ao Palácio da Abolição tem força para se aliar ao PL e ao PSDB. Dos quatro deputados federais do União Brasil, dois – Danilo Forte e Dayny do Capitão, integram o bloco de oposição, enquanto outros dois – Moses Rodrigues e Fernanda Pessoa, fazem parte das gestões Lula e Elmano.
