Ceará firma diálogo com consórcio de SC para dar destino econômico a resíduos sólidos

Blog do  Amaury Alencar
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Foto: Divulgação/SDE

Por meio da Secretaria do Meio Ambiente, o Governo do Ceará atua em diversos consórcios regionais de resíduos sólidos e, em parceria com a Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), busca integrar a gestão desses resíduos ao fortalecimento da economia local. Nesse contexto, o titular da SDE, Domingos Filho, recebeu o diretor executivo do Consórcio Intermunicipal do Médio Vale do Itajaí (CIMVI), Fernando Tomaselli, de Santa Catarina, para discutir a possível replicação, no Ceará, de um modelo bem-sucedido que transforma o que antes era tratado como “lixo” em fonte de receita e geração de energia.

O encontro foi um desdobramento de uma visita técnica realizada pelo secretário ao estado de Santa Catarina no fim do ano passado. O modelo catarinense, implantado há três anos em 19 municípios, destaca-se pela elevada eficiência, com índice de aproveitamento de 96% de todos os resíduos coletados.

A tecnologia apresentada propõe o tratamento integral dos resíduos, diferentemente dos aterros sanitários convencionais. O processo envolve desde a reciclagem tradicional até a transformação de rejeitos, como restos orgânicos e resíduos sanitários, em produtos termoplásticos, adubo para compostagem e energia, por meio de um sistema de desidratação.

“Queremos transformar um passivo em ativo. Trata-se de uma realidade já consolidada e plenamente operacional, com plantas industriais que processam quase 200 toneladas de resíduos por dia”, destacou Fernando Tomaselli.

Segundo o diretor do CIMVI, a proposta para o Ceará prevê parcerias estratégicas, possivelmente com a Urbantec, empresa especializada em tecnologia para cidades inteligentes, que desenvolve soluções em infraestrutura de iluminação pública e sistemas de gestão urbana. A iniciativa busca unir inovação tecnológica, eficiência operacional e interesse público, promovendo cidades mais sustentáveis e integradas.

A inclusão social é um dos pilares do projeto. O sistema não concorre com as cooperativas de reciclagem; ao contrário, incorpora essas organizações ao processo produtivo. Ao tratar o rejeito remanescente da reciclagem convencional, que corresponde a cerca de 80% do volume de resíduos domésticos, o modelo amplia a escala de comercialização e contribui para o aumento da renda dos cooperados.

A Secretaria do Desenvolvimento Econômico seguirá analisando a viabilidade técnica do projeto e os modelos de parcerias público-privadas (PPPs), com o objetivo de identificar as regiões do estado com maior potencial para a instalação das primeiras plantas industriais de tratamento de resíduos.

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