
O ano de 2026 começou com um marco histórico para a Igreja Católica no Ceará. Após 55 anos, Papa Leão XIV, criou na manhã da quinta-feira (1), uma nova diocese no Estado, a Diocese de Baturité. As últimas criações canônicas foram em 1971 quando foram criadas as dioceses de Itapipoca, Quixadá e Tianguá.
A nova diocese tem o território desmembrado da arquidiocese de Fortaleza e é formada por 14 municípios, sendo eles: Acarape, Aracoiaba, Aratuba, Barreira, Baturité, Canindé, Caridade, Guaramiranga, Mulungu, Pacoti, Ocara, Palmácia, Paramoti e Redenção, compondo então 21 paróquias e uma área pastoral.
Para conduzir esta nova diocese, o Papa Leão nomeou como primeiro bispo dom Luís Gonzaga Pepeu, franciscano capuchinho que foi arcebispo de Vitória da Conquista (BA), entre 2008 e 2019, e atualmente Vigário Geral da Arquidiocese de Olinda e Recife. Nascido em Caruaru (PE), em 18 de fevereiro de 1957, Dom Pepeu foi ordenado presbítero em 1982, e em 2001, foi nomeado bispo da Diocese de Afogados da Ingazeira (PE).
Em entrevista exclusiva ao O Estado, o recém-nomeado bispo da Diocese de Baturité, dom Pepeu, celebrou a decisão do Vaticano e comentou sobre a nova missão. O anúncio, feito neste dia 1º de janeiro de 2026, foi classificado pelo religioso como uma “Boa Nova” que marca o início do ano. Sobre a responsabilidade de ser o primeiro líder da história da nova diocese, o bispo demonstrou humildade e gratidão.
“Em primeiro lugar, eu quero parabenizar, a província eclesiástica, o Regional Nordeste I, pela criação por parte do Santo Padre desta nova diocese. E justamente num dia tão especial, como é o dia de hoje, primeiro dia do ano novo e com essa boa nova, digamos, da criação da nova diocese de Baturité, aí, no Ceará. Então, eu recebo esta missão, digamos, como primeiro bispo da nova diocese, como um dom da graça, e ao mesmo tempo como um chamado exigente ao serviço humilde franciscano, digamos, e generoso ao povo de Deus, aí, nesta região em comunhão com o Papa Leão XIV, que teve essa confiança. E, por isso, eu agradeço assim fielmente a ele, pela confiança em mim depositada ao me nomear esse primeiro bispo da nova diocese aí no Ceará”, conta dom Pepeu.
Segundo Dom Gregório Paixão, OSB, Arcebispo Metropolitano de Fortaleza, a criação desta nova diocese surgiu como uma “necessidade pastoral”, tendo em vista que a distância física, muitas vezes dificultava o acesso direto à figura do bispo e a uma coordenação pastoral que entendesse as particularidades da serra e do sertão central. Com a nova diocese, esse cenário muda completamente. A proximidade física facilita as visitas pastorais, onde o bispo entra nas casas, conhece os projetos sociais de perto e ouve as demandas do clero local.
“Havia uma necessidade pastoral que já foi manifestada por alguns bispos antes da minha chegada. Dom Delgado na década de sessenta. Então, vem a década de setenta e oitenta com Dom Luís. Depois vem ali, Dom Antônio José, e finalmente eu, que peguei também essa palavra. Dom José Antônio chegou até falar conosco, disse: ‘Não, não, vamos esperar mais um pouquinho’. Mas aí nós somamos toda essa esse desejo dos bispos, dos sacerdotes e do povo e apresentamos a Santa Sé e milagrosamente foi aprovado. Então, a gente ficou muito feliz por causa disso. Isso tudo para servir ainda mais as pessoas. Aos católicos que lá estão, aos homens e mulheres de boa vontade que queiram se associar a nós, como também um olhar ainda mais atento para com os mais pobres, os esquecidos, os doentes, os necessitados. Então, é um trabalho integral buscando levar todos Jesus Cristo”, afirma dom Gregório.
Dom Pepeu também destacou ao jornal O Estado, o sentimento de acolhida, mesmo antes de sua instalação oficial. Além disso, o anúncio da criação da Diocese de Baturité trouxe consigo uma coincidência significativa para o seu primeiro bispo, tendo em vista que neste ano, o religioso completa 25 anos de ordenação episcopal, e celebrará seu aniversário de prata em solo cearense, assumindo a liderança da nova sede eclesiástica.
“Eu já começo a amar esse querido povo de Deus, mesmo sem conhecer ainda de perto, porque sei que os cearenses de um modo são um povo muito religioso, depois muito acolhedor. Nós temos notícia disso, sabemos, conhecemos e sobretudo dessa região onde eu vou morar que é a nova Diocese. Então, eu confio essa etapa, neste 25º ano do meu aniversário Episcopal, à intercessão de Nossa Senhora, de Maria mãe de Deus e mãe da igreja, como nós celebramos hoje na igreja. No primeiro dia do ano, nós celebramos a solenidade de Santa Maria, mãe de Deus, mãe e mãe da igreja. E a nossa nova diocese, intitulada Nossa Senhora da Palma. Então, é sobre a intercessão dela que eu coloco realmente esse novo ministério episcopal à frente dessa nova diocese”, disse Dom Pepeu.
O Prefeito de Baturité, Herberlh Mota recebeu com entusiasmo o anúncio oficial da criação da nova diocese do Maciço. O gestor classificou a decisão do Vaticano como um marco histórico que redefine o protagonismo religioso e cultural do município e de toda a região.
“Eu recebo essa notícia com muita alegria e gratidão. A criação da Diocese de Baturité é um momento histórico não só para a cidade, mas para todo o Maciço. Baturité tem uma forte tradição religiosa, e ser escolhida como sede dessa nova Diocese é uma honra muito grande para todos nós. É um reconhecimento da fé do nosso povo e da importância espiritual da nossa região”,
Herberlh também destacou o papel da gestão municipal no apoio institucional ao projeto, ressaltando que o processo foi pautado pelo diálogo e pelo respeito à missão evangelizadora da Igreja.
“Como gestor, fico feliz em poder colaborar para que esse sonho se tornasse realidade, sempre com respeito e diálogo, apoiando iniciativas que fortalecem valores humanos, espirituais e o bem comum. Quero agradecer de forma muito especial ao Papa Leão XIV, pela sensibilidade e pelo olhar pastoral voltado para o nosso povo, e ao Arcebispo Metropolitano de Fortaleza, Dom Gregório Paixão, por todo o discernimento, cuidado e condução desse processo ao longo dos últimos anos”.
A consolidação da Diocese de Baturité contará com um suporte estratégico do poder público municipal. O prefeito revelou que a gestão já vinha se articulando com a liderança da Igreja para garantir a infraestrutura necessária para a instalação da nova sede episcopal no Maciço. De acordo com o gestor, as tratativas tiveram início ainda no semestre passado, durante reuniões com o Arcebispo Metropolitano de Fortaleza, Dom Gregório Paixão.
“Ainda no semestre passado eu procurei dom Gregório para me inteirar sobre o processo da criação da diocese e no momento me coloquei à disposição pra fazer a doação de um imóvel de um terreno para a construção da diocese que também vai abrigar o novo seminário e os equipamentos que vão vir pra Baturité além da diocese”, destacou.
Dom Pepeu, finalizou sua fala deixando uma mensagem direta aos fiéis, sacerdotes da região, projetando como será sua condução à frente do novo bispado, reconhecendo suas limitações. O bispo também enfatizou que sua gestão não será solitária, mas baseada na coletividade. Ele definiu o ministério que assume como um “serviço de comunhão, de escuta e de discernimento”, reforçando o desejo de caminhar lado a lado com o povo, clero e leigos.
“Consciente das minhas limitações, mas eu me coloco assim com inteira disponibilidade, como eu lhe disse, anteriormente, confiando na ajuda de nosso senhor e na intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, a nossa padroeira, Nossa Senhora da Palma e na solicitude pastoral da igreja. Então, eu desejo exercer esse ministério episcopal que me foi confiado como um serviço de comunhão, também de escuta, de discernimento, caminhando com o povo que me é confiado, com esse rebanho muito querido, especialmente com os presbíteros, os diáconos consagrados e os leigos, com responsabilidade assim na missão evangelizadora. Então, eu quero deixar aqui um abraço e a mensagem de um abençoado ano novo para todos nós que vamos começar essa nova realidade, da nova diocese de Baturité aí no Ceará”, finaliza dom Pepeu.
(Por Dalila Lima)