
A Polícia Civíl do Estado do Ceará (PCCE) iniciou uma investigação após detecção de fraudes realizadas por motoristas de aplicativo em corridas na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Foi descoberto que a quadrilha atuava burlando o sistema do aplicativo se juntando em grupos para aumentar os valores das corridas solicitadas. De acordo com a PCCE, o grupo atua há cerca de dez dias nos municípios de Cascavel e Aquiraz e estão sob investigação, que já culminou na prisão de 15 suspeitos de participarem das fraudes.
As prisões aconteceram no último fim de semana nos dois municípios. Junto com os suspeitos, foram apreendidos aparelhos celulares, além dos veículos que eles estavam usando para as corridas. As investigações apontam que muitos dos motoristas já teriam sido banidos dos aplicativos Uber e 99 Pop por atuação fraudulenta em outro momento, mas que os suspeitos usavam perfis de outras pessoas, muitas vezes familiares, para realizar o cadastro no app.
A polícia aponta que a quadrilha gera situações fake para que as corridas fiquem mais caras e os motoristas ganham bonificações do aplicativo por aceitarem as viagens.
Josafá Filho, titular da delegacia da PCCE em Cascavel, explica como o esquema era realizado. “Existiam as chamadas corridas fakes que eles criam aquele usuário falso e solicitam uma corrida e vão dois motoristas de aplicativo para determinados locais. Lugares de curta distância, porque isso gera, é, uma premiação, por parte do aplicativo, da empresa ali de transporte. Bem como havia a realização fraudulenta de diversas chamadas e a recusa deliberada por parte deles, isso faz com que o preço que seria um preço módico e acessível à população, até chegasse a quadruplicar”
Conforme aponta a investigação policial, os motoristas iniciaram o esquema criminoso por meio de um aplicativo de mensagens, no qual eles trocavam informações sobre os locais que iriam se encontrar, além de combinar a recusa das corridas. O grupo também fiscalizava os novos motoristas que entravam no aplicativo, faziam a chamada para participar do esquema e no caso de recusa o motorista era perseguido pelos criminosos. A polícia aponta ainda que as investigações estão em curso nas cidades das apreensões e outras cidades da RMF.
Em nota, a Uber informou que “a plataforma está em contato e à disposição das autoridades responsáveis, nos termos da lei”. A empresa ressaltou que esquemas de fraude estão em constante evolução e que suas equipes utilizam análises manuais e sistemas automatizados capazes de identificar mais de 600 tipos de sinais para detectar irregularidades. Disse ainda que implementa novos processos, tecnologias e treinamentos para se antecipar a golpes.
Segundo a plataforma, práticas como manipular o funcionamento normal, prejudicar propositalmente solicitações ou induzir alteração artificial de preços, além de serem crime, violam os Termos e Condições e podem levar ao banimento das contas. A Uber afirmou contar com suporte 24 horas para que usuários e parceiros registrem reportes, analisados individualmente.
Prisões na RMF
As 15 prisões realizadas em Cascavel e Aquiraz, ambas parte da RMF, fazem parte da investigação instaurada pela PCCE. A polícia aponta que tomou conhecimento do esquema por meio de denúncia anônima. Entre os presos, está um homem de 7 anos que foi preso em flagrante.
Os suspeitos foram encaminhados a delegacia. Josafá Filho explica que as penas somadas podem chegar a 20 anos de prisão. “Eles foram capturados para que respondam pelo crime de extorsão, com pena alta, de até 8 anos. Além do crime de associação criminosa, que é uma pena de 3 anos e por dois crimes contra a ordem econômica, que seria semelhante a criação de cartel e manipular artificiosamente os preços, cada uma dos dois mais 5 anos. A pena pode chegar a até mais de 20 anos se somados todos os delitos no patamar máximo.
Por Hyago Felix