
O setor comercial do Ceará encerrou 2023 com 287 mil pessoas ocupadas e uma receita bruta de revenda de R$ 154,8 bilhões, segundo dados da Pesquisa Anual de Comércio (PAC) 2023 – Ceará, divulgada nesta quinta-feira (7/08) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento mostra a força do varejo, que respondeu por 77,2% dos empregos no setor, somando 221,5 mil trabalhadores com carteira assinada.
Em seguida, aparece o comércio por atacado, com 43,2 mil ocupados (15,1%), e o segmento de veículos, peças e motocicletas, com 22,3 mil (7,8%). Apesar da menor representatividade, o atacado alcançou seu maior número de trabalhadores desde 2014, indicando uma retomada de fôlego no setor. Já o comércio automotivo registrou queda de 0,8 ponto percentual na participação total da força de trabalho em uma década.
Ao todo, o Ceará contava com 45.348 unidades locais (ULs) no comércio em 2023. Apesar da retração de 9,5% no número de ULs desde 2014, o que representa menos 4,7 mil estabelecimentos, o ano passado registrou crescimento de 10,1% nas unidades locais, após sucessivos recuos em períodos anteriores, como entre 2018-2019 (-17,2%) e 2021-2022 (-4,5%).
A média de ocupação por estabelecimento comercial se manteve em seis trabalhadores por unidade, com variações conforme o segmento: nove no atacado, seis no varejo e cinco no comércio de veículos. O total pago em salários, retiradas e outras remunerações atingiu R$ 7,1 bilhões em 2023, com rendimento médio de 1,5 salário mínimo, levemente superior ao registrado em 2014 (1,4 s.m.).
Participação
O varejo também liderou a margem de comercialização, respondendo por 61,8% dos R$ 32,5 bilhões apurados no ano. O atacado contribuiu com 27,4%, enquanto o comércio de veículos respondeu por 10,7%. Em termos de receita bruta, o varejo ampliou sua participação para 54,6% em 2023, um avanço de 2,4 pontos percentuais em relação a 2014. O atacado teve ligeira queda, de 35,2% para 34,7%, enquanto o setor automotivo recuou de 12,6% para 10,7% no mesmo período.
Entre os segmentos, o comércio de veículos, peças e motocicletas apresentou os maiores salários médios, com 1,9 salário mínimo, seguido pelo atacado (1,8 s.m.). O varejo permaneceu com o menor rendimento médio, equivalente a 1,4 salário mínimo.
Para Bruno Henrique, economista e sócio da Repense Inteligência Financeira, “esse desempenho resiliente decorreu de vários fatores: a demanda por bens essenciais manteve-se firme, especialmente nas cidades médias do interior, que ampliam sua relevância econômica; a formalização cresceu, conferindo mais segurança jurídica aos empreendedores; e a adaptação às novas dinâmicas do mercado, como vendas digitais e delivery, refletiu a criatividade dos comerciantes locais”.
Por outro lado, segundo ele, persistem desafios estruturais, como crédito restrito, informalidade alta, baixa produtividade e concorrência agressiva das grandes plataformas digitais, que exigem contínua inovação, planejamento estratégico e políticas públicas eficazes.