Nordeste é destaque no Banco do Brics e receberá investimento de US$ 3 bilhões

Blog do  Amaury Alencar
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Com foco crescente na infraestrutura energética do Nordeste, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como o banco do Brics, anunciou um robusto pacote de investimentos para a região. Um dos principais projetos envolve a construção de uma linha de transmissão de energia, viabilizada por meio de um memorando de entendimento assinado com a subsidiária da State Grid no Brasil. O empreendimento, estimado em US$ 3 bilhões, beneficiará diretamente estados nordestinos, fortalecendo a capacidade de distribuição elétrica em uma das regiões mais estratégicas para a geração de energia limpa no país.

Além disso, a presidente do NDB, Dilma Rousseff, destacou o financiamento em moeda local para a modernização da infraestrutura da CPFL, com aporte de US$ 200 milhões em yuan, parte do esforço do banco para reduzir a exposição cambial dos projetos e fortalecer os mercados domésticos. Ao todo, o Brasil já recebeu US$ 6,3 bilhões em financiamentos aprovados pelo banco desde sua criação, dos quais US$ 4 bilhões já foram efetivamente desembolsados, contemplando 29 projetos em áreas prioritárias.
Durante coletiva concedida neste sábado (5/07), véspera da cúpula do Brics, Dilma ressaltou que as diretrizes do NDB estão cada vez mais alinhadas com as necessidades do Sul Global, priorizando áreas como infraestrutura e logística, inteligência artificial, data centers, telemedicina e hospitais inteligentes, como o projeto em São Paulo que utiliza know-how chinês. A presidente também reforçou o compromisso com a transição energética, aspecto cada vez mais urgente para o desenvolvimento sustentável da América Latina.

O banco, fundado em 2014 por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, já aprovou globalmente US$ 40 bilhões em financiamentos, dos quais US$ 22,4 bilhões foram desembolsados. A carteira ativa no Brasil soma hoje R$ 2,3 bilhões em projetos em execução. A instituição anunciou ainda a entrada de dois novos países, Colômbia e Uzbequistão, elevando o número total de membros para 11. Com a ampliação, o NDB busca consolidar sua atuação como uma plataforma representativa dos interesses do Sul Global no cenário financeiro internacional. A sede dessa reunião está sendo o Rio de Janeiro que recebe, de 4 a 7 de julho, a Cúpula do Brics 2025, o mais importante encontro político e econômico do bloco neste ano.

Para o economista Helder Cavalcante, o montante de US$ 3 bilhões em infraestrutura energética no Nordeste representa uma movimentação estratégica com alto impacto econômico e social. “A construção de uma nova linha de transmissão atende diretamente à crescente demanda por escoamento da energia gerada na região, especialmente de fontes renováveis, como solar e eólica, que encontram no Nordeste condições climáticas e geográficas privilegiadas. Ao ampliar a capacidade de distribuição elétrica, o projeto não apenas melhora a segurança energética nacional, mas também cria um ambiente mais atrativo para novos investimentos privados, gerando emprego, renda e dinamização das economias locais”. Ainda segundo ele, do ponto de vista macroeconômico, trata-se de uma ação coerente com a agenda de transição energética global e com o fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis.

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