
Em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, o Ministério Público do Ceará (MPCE) promoveu, entre os dias 15 e 18 de maio, programação especial voltada à saúde mental, à adoção legal e à proteção integral de crianças e adolescentes. As atividades ocorreram no Shopping RioMar Fortaleza, como parte da campanha “Maio Laranja”, que visa conscientizar a população sobre o enfrentamento à violência sexual infantojuvenil.
Através do movimento Mãos que Protegem, o MPCE vem alertando a sociedade sobre a importância da notificação de casos de violência e da garantia de um acolhimento humanizado às vítimas. Segundo o procurador-geral de Justiça, Haley Carvalho, a iniciativa busca fortalecer o vínculo entre o Ministério Público e a população. “Estamos saindo dos gabinetes e indo aos espaços de grande circulação, como shoppings, para abordar temas urgentes como a violência contra crianças e adolescentes. Queremos divulgar nosso trabalho, ouvir a sociedade e promover um movimento de aproximação para que todos compreendam seu papel na defesa da infância”, afirmou.
Durante os quatro dias de evento, o MPCE realizou atendimentos ao público, distribuiu material informativo e promoveu três rodas de conversa. A primeira delas, conduzida pela promotora de Justiça Isabel Pôrto, coordenadora auxiliar do Centro de Apoio Operacional da Saúde (Caosaúde), e pelo técnico ministerial do Programa Vidas Preservadas, Rafael Sales, discutiu a importância do cuidado com a saúde mental de crianças e adolescentes. Em seguida, o promotor de Justiça Dairton Oliveira, do Centro de Apoio Operacional da Infância e Juventude (Caopij), abordou o tema “Entrega legal de crianças para adoção”, destacando a necessidade de acolhimento às mulheres que optam por essa via. “A entrega legal é um instrumento de proteção e não deve ser julgada. Muitas vezes é resultado de violência social. Quando acolhemos essas mulheres, elas passam a ver a adoção como um ato consciente e seguro, sem recorrer ao aborto ou sofrer em silêncio”, pontuou.
Encerrando a programação, a promotora de Justiça Cibelle Nunes, também do Caopij, discutiu o tema “Proteção de crianças e adolescentes contra o abuso e exploração sexual: um compromisso de todos”. Segundo ela, o número de casos de estupro de vulnerável ainda é alarmante no país. “Essa forma de violência, que atinge crianças de até 14 anos, deixa marcas físicas e emocionais profundas. A Constituição é clara: proteger crianças e adolescentes é dever da família, da sociedade e do Estado. Precisamos de uma mobilização permanente para combater essa realidade cruel que destrói infâncias”, destacou.
Por Dalila Lima