Servidores do IJF realizam três paralisações contra reajuste salarial em menos de 24 horas

Blog do  Amaury Alencar
0

 

Os servidores do Instituto Doutor José Frota (IJF) realizaram paralisações em posicionamento contrário ao reajuste salarial de 4,83%, parcelado em duas vezes, proposto pela Prefeitura de Fortaleza. No total, três paralisações foram realizadas em menos de 24 horas. A primeira ocorreu na noite da quarta-feira (12); a segunda, na manhã dessa quinta-feira (13); seguida por uma outra no período da tarde de ontem.
De acordo com os servidores, a proposta apresentada pela gestão municipal é “desrespeitosa, miserável e vergonhosa” com a classe. Na terça-feira (11), a Prefeitura apresentou o índice de 4,83% de reajuste geral para os servidores. A ideia da gestão é parcelar esse valor em duas vezes. Com 2% na folha de pagamento de junho e mais 2,83% em dezembro, sem o retroativo à data-base.

A Prefeitura citou a dívida pública herdada da gestão anterior no valor de R$ 4,6 bilhões e o contingenciamento de gastos que está em vigor desde o início da gestão Evandro Leitão (PT). As reivindicações apresentadas pelos servidores afirmam que a gestão municipal não tem aberto espaço para atender a demandas, como revisão do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), auxílio-alimentação e extensão de carga horário, entre outros problemas.
Os atos realizados nas últimas horas foram organizados pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Ceará (Sindsaúde/CE). De acordo com o presidente da entidade, Quintino Neto, as paralisações pontuais no IJF se devem ao não atendimento das reivindicações dos servidores públicos municipais por Evandro Leitão.

Uma funcionária da unidade hospitalar, que falou sob reserva com o jornal O Estado, diz que o prefeito não tem aberto espaço para dialogar com os servidores. “Entre outras propostas, é pedido também a reabertura da mesa de negociação setorial do IJF, que está fechada há bastante tempo e já estamos pedindo há muito tempo para auxiliar na resolução de questões internas da instituição. A questão do PCCS que está parado, a extensão de carga horária. Mas nós não estamos conseguindo nem conversar com a gestão. Não há feedback, não estamos conseguindo agendar reuniões, não há assunto nem conversa com a gestão e quando há alguma resposta eles falam e a gente tem que acatar o que eles dizem”, afirma.

De acordo com os sindicalistas, as paralisações pontuais não afetam o atendimento na unidade, que segue normalmente. Nesta sexta-feira (14) há um ato marcado na frente do Paço Municipal, para reforçar as reivindicações. A reportagem entrou em contato com o IJF, que informou em nota que está cumprindo o contingenciamento municipal, com a redução temporária de salários e defendeu o reajuste proposto.

Confira a nota
na íntegra:
Com uma dívida pública herdada no valor de R$ 4,6 bilhões e um decreto de contingenciamento em vigor, o Município reduziu temporariamente o salário dos titulares, a gratificação de servidores e o número de terceirizados no quadro de pessoal. Agora revisa os contratos em vigor. Diante disso, entendendo a legitimidade e importância do reajuste geral do servidor público, a Prefeitura estudou uma maneira de viabilizar um aumento correspondente à inflação de 2024 dentro do exercício de 2025, evitando o acúmulo de perdas para o servidor.

Assim, a Prefeitura garantiria o percentual do Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) de 2024, de 4,83%, parcelado em duas vezes. Na folha de pagamento de junho entrariam 2% e na de dezembro, os 2,83% restantes. A proposta foi apresentada em reunião realizada na segunda-feira (10/03) com entidades sindicais em mais um encontro que reforça a disposição da Prefeitura para o diálogo. Foram sete reuniões entre representantes dos servidores e da gestão.

Como resultado, parte das pautas sem impacto financeiro foi encaminhada, como a revogação do decreto de afastamento dos servidores sindicalizados e a implantação da nova formação da Mesa Central, instância máxima do Sistema de Negociação Permanente.

Por Hyago Felix

Postar um comentário

0Comentários
Postar um comentário (0)