Cearense tem reconhecimento internacional por produção de Panetone Clássico Milanês

Blog do  Amaury Alencar
0


 Os ingredientes selecionados vêm de longe, mas o segredo do panetone que está conquistando o júri técnico no Brasil e na Coppa Del Mondo Del Panettone, grande evento inteiramente dedicado ao Panetone de fermentação natural que acontece na Itália, é fruto da dedicação e persistência de um cearense de 32 anos que vem conquistando um reconhecimento mundial.


Brunno Malheiros é um apaixonado pela panificação artesanal e há mais de quatro anos comanda o Cheiro do Pão, com atendimento presencial no bairro Papicu na cidade de Fortaleza. O Panetone que fez Brunno ganhar a competição é conhecido na panificação mundial como “Monte Everest”. O nome é dado pelo grau de dificuldade e complexidade da sua produção.

A receita que vem fazendo sucesso no mundo e levando o nome do Ceará, surgiu no primeiro ano da Cheiro do Pão como um grande desafio para o empreendedor. “Utilizamos farinha de trigo italiana específica para panetone, manteiga com alto teor de gordura, gema de alta qualidade, favas de baunilha madagascar, raspas de cítricos como laranja bahia e limão-siciliano, laranja cristalizada italiana, uvas-passas embebidas em rum”, diz o padeiro mais jovem e premiado no mundo.

O Brunno participa pela terceira vez da premiação. A primeira classificação aconteceu no ano de 2022 e com o título de “Melhor Panettone Clássico Milanês do Brasil”, além de se classificar no Top 10 na final do campeonato mundial, concorrendo com 24 competidores de 12 países. Em 2023, conquistou novamente o título de melhor do Brasil, e neste mês se classificou novamente. “O resultado é um panetone aromático, úmido, leve, de dulçor equilibrado e com textura que desmancha na boca. Um produto que faz com que até os que não gostam de panetone, se apaixonarem por ele”, comemora.

Reconhecimento local
O sucesso do cearense não é somente na premiação, mas também com sua clientela em Fortaleza. “Produzimos panetone o ano inteiro, pois temos procura pelo produto fora da temporada de Natal. Ele não pode faltar na vitrine, assim como os croissant e as baguetes”, diz.
Em entrevista ao jornal O Estado, Maria das Dores disse que conheceu os produtos no ano passado e de lá para cá, não compra outra massa a não ser as que são produzidas por Brunno. “Tem um gosto diferenciado, não sei explicar bem, mas é diferente de tudo aquilo que já vi e comi. Tenho 66 anos, sempre avalio o que levo para o café da manhã em minha casa, mas como essas fornadas, é sem igual”, diz a aposentada.

Panetone no Brasil
A história do panetone é tradicionalmente relacionada à Itália da Idade Média, contexto no qual se considera que foi criado. Alimento que tem seu consumo relacionado com o período natalino, o panetone é caracterizado por ser um pão adocicado com frutas cristalizadas e uvas-passas em sua massa. O Brasil é um dos países no mundo que mais consomem o panetone, inclusive possui a empresa que mais produz esse alimento no planeta.
Os historiadores não sabem exatamente quando o panetone foi criado, mas considera-se que provavelmente aconteceu na Itália, em Milão ou arredores, em algum momento da Idade Média. Popularizou-se a partir do século XX e foi trazido para o Brasil por meio de imigrantes italianos.

Empreendedorismo
Formado em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Ceará (UFC), chegou a estagiar no estabelecimento do avô no recebimento de mercadorias, estoque, compras, financeiro e até no contato com o público. Sem espaço, decidiu tomar outros rumos. Antes de abrir a Cheiro do Pão em 23 de julho de 2020, no meio da pandemia e com apenas duas fornadas e atendimento restrito ao WhatsApp e Instagram, Brunno trabalhou com sorveteria e em uma empresa de consultoria de varejo.
Os primeiros pães sob encomenda foram produzidos em casa, com uma batedeira emprestada da mãe. Mas foi em 2019, com o apoio da avó paterna, que Brunno iniciou a reforma de um pequeno espaço na residência dela para ampliar a produção e diversificar o mix de produtos. Com muito empenho e dedicação, o padeiro cearense vem colhendo os frutos que plantou e ainda planta.

Por Ismael Azevedo

Postar um comentário

0Comentários
Postar um comentário (0)