Possível aproximação nacional entre Ciro e PSDB muda cenário das eleições de 2022 no Ceará

 




Uma notícia dada, nesta sexta-feira (26), pelo jornalista Kennedy Alencar, no Jornal Folha de São Paulo, mexe com os bastidores da política do Ceará e pode, se, eventualmente, confirmado o cenário exposto na informação, transformar radicalmente o quadro das eleições de 2022. De acordo com Kennedy Alencar, lideranças do PSDB abrem conversas para uma possível aliança com o PDT em apoio ao nome de Ciro Gomes à Presidência da República.


Segundo, ainda, o jornalista da Folha, ‘’uma ala, que se movimenta contra João Doria, governador de São Paulo, tem colocado fichas em Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul. Mas há tucanos que avaliam que o gaúcho seria um bom nome para vice do pedetista Ciro’’.


Alencar cita que ‘’Ciro e o PSDB tem histórico de hostilidades. Mas ele já foi filiado ao partido e há pessoas tentando reconstruir pontes, inclusive com FHC, muito criticado no passado por Ciro’’. O colunista da Folha de São Paulo observa que, na recente entrevista ao UOL, Ciro ‘’pegou leve com FHC na comparação com entrevistas anteriores’’.

CIRO & TASSO

Ciro cresceu na política pelas mãos do senador Tasso Jereissati (PSDB) com quem mantém, hoje, relação harmoniosa. Ciro foi líder do primeiro Governo de Tasso na Assembleia Legislativa e, em 1988, conquistou à Prefeitura de Fortaleza. Ambos, nessa fase da trajetória política, estavam no PDMB e, em 1989, desembarcaram no PSDB.

A relação de confiança e sintonia política consolidou ainda mais um projeto político e, em 1990, Tasso elegeu Ciro Governador. Quatro anos depois, em 1994, Tasso foi retribuído com o apoio do aliado para comandar, pela segunda vez, o Governo do Estado. Uma articulação avalizada pelo tucano levou Ciro Gomes, em 1994, ao Ministério da Fazenda na gestão Itamar Franco.

Após a passagem de Ciro pelo Governo Itamar, a convivência com os tucanos nacionais já não era tão saudável. Ciro deixa o PSDB e se filia ao PPS. Houve, mesmo com a troca de partido, manutenção da aliança entre PSDB e PPS no Ceará e, nas eleições de 1998, Tasso se reelege governador.


ALTOS E BAIXOS

Em 2002, Ciro concorre, pelo PPS, à Presidência da República, Tasso apoia à candidatura de José Serra (PSDB) e, em solo cearense, a aliança entre os dois se mantém: Tasso elege, como sucessor, o tucano Lúcio Alcântara e, ao Senado, Patrícia Saboya (PPS), ex-mulher de Ciro conquista o mandato de oito anos.

De 2003 a 2006, Tasso se mantém distante, cuida do mandato no Senado e escuta as queixas dos aliados sobre hostilidades impostas pelo grupo mais próximo ao Governador Lúcio Alcântara. Em 2006, sem apoio de Tasso e de uma banda do PSDB, Lúcio se lança candidato à reeleição e é derrotado por Cid Gomes (PSB).

Em 2010, Cid é reeleito. Do outro lado, Tasso havia embarcado na aventura da candidatura de Marcos Cals (PSDB), que tinha sido secretário de Justiça na primeira gestão de Cid Gomes. Ao se lançar candidato a governador, Marcos bate duro em Cid e abre divergências que o levaram – como ele mesmo define, ao purgatório da política.

Dez anos depois, pelo dinamismo da política, Marcos é tirado do que chamou de ‘purgatório’ para o Governo Camilo Santana pelas mãos de um dos mais fiéis aliados de Cid Gomes, o atual Secretário de Cidades, José Albuquerque. Marcos é secretário adjunto das Cidades.

SEPARAÇÃO TOTAL

O histórico da convivência entre Tasso e Ciro tem o seu ponto de maior conflito em 2010: Tasso se mantém firme com o PSDB, apoia José Serra e concorre à reeleição de senador. Ciro entra no palanque de Dilma Rousseff e ajuda a eleger Camilo Santana (PT) Governador e, para o Senado, José Pimentel (PT) e Eunício Oliveira (PMDB).

A derrota deixou Tasso ainda mais afastado de Ciro Gomes. Em 2014, os dois continuam em palanques opostos: Camilo, com apoio de Cid e Ciro, se reelege governador, mas os irmãos perdem, com Mauro Filho, a vaga ao Senado. A derrota foi, justamente, para Tasso Jereissati.

Os desacertos das ações de Dilma Roussef, que a levaram à cassação do mandato, abriram caminhos para Ciro e Tasso se reaproximarem. No Ceará, a postura de diálogo do governador Camilo Santana ajudou a construir uma linha com o senador Tasso Jereissati, contribuindo para alargar ainda mais as portas para melhorar a relação entre Ciro e Tasso.

Camilo sempre fez questão de destacar o papel de Tasso no Senado para contribuir com o Governo do Estado e com o Ceará. As deferências geraram, muitas vezes, ciúmes aos petistas, especialmente, ao então senador José Pimentel. Com a interlocução de Camilo, Ciro e Tasso passaram a ser vistos, com frequência, em eventos do Governo do Estado.

O vai e vem da política é marcada, hoje, pela convivência bem harmoniosa entre Ciro e Tasso, daí a notícia sobre uma possível aproximação nacional entre PDT e PSDB provocar ameaça de um verdadeiro terremoto na política do Ceará com vistas às eleições de 2022. As conversas estão surgindo agora e, simultânea as primeiras notícias, surgirão muitas especulações e muitos balões de ensaio. Tudo a caminho de 2022.

RENÚNCIA EM 1994

Ciro renunciou ao mandato de governador para assumir o cargo de Ministro da Fazenda de Itamar Franco. O vice, à época, Lúcio Alcântara (PDT), havia, também, se afastado para concorrer ao Senado. Com a mudança no comando do Estado, o então presidente da Assembleia Legislativa, Francisco Aguiar (PSDB), foi eleito governador tampão. No dia primeiro de janeiro de 1994, Tasso Jereissati é empossado governador, tem o presidente Fernando Henrique como aliado e, em 1998, conquista à reeleição.

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