Protesto em Brejo Santo reivindica direitos de famílias afetadas por barragens no Ceará

 





Manifestação reuniu cerca de 150 pessoas e percorreu ruas do município de Brejo Santo para chamar atenção para as famílias que são diretamente afetadas por complicações de barragens no Ceará (Foto: Reprodução/ WhatsApp O POVO)
Manifestação reuniu cerca de 150 pessoas e percorreu ruas do município de Brejo Santo para chamar atenção para as famílias que são diretamente afetadas por complicações de barragens no Ceará (Foto: Reprodução/ WhatsApp O POVO)

Famílias organizadas do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) realizaram na manhã desta sexta-feira, 11, manifestação no município de Brejo Santo, na região do Cariri do Ceará, para reivindicar políticas de segurança para as pessoas atingidas pela construção de barragens para a transposição do Rio São Francisco no Ceará.


Dentre diversas solicitações, as famílias alegam que a barragem de Boi I, localizada entre os municípios de Jati e Brejo Santo, possui o perigo iminente de romper se tiver 70% da capacidade de armazenamento alcançada. Segundo as famílias, a barragem de Boi I está em seu volume morto, com 6% da capacidade, e foram construídos 31 poços artesianos para conter a pressão na parede e evitar rompimento.


As famílias argumentam que no local da barragem existe um aluvião, uma profunda camada de sedimentos e areia, a cerca de 20 metros a mais de profundidade, que não foi drenado e que nenhum alicerce foi construído. Com 6% da capacidade, parte dos poços artesianos já jorram água para o leito do rio e as famílias temem que, se a barragem chegar à meta de 70% de abastecimento, um rompimento possa acontecer, como ocorreu em uma tubulação da barragem de Jati

O POVO entrou em contato com a Secretaria dos Recursos Hídricos do Ceará e aguarda um posicionamento sobre o planejamento do órgão com a barragem de Boi I. 

Além de moradores do entorno da barragem de Boi I, participaram do ato pessoas atingidas pelo acidente em Jati e de outras barragens da região, como Atalho, Cipó, Porcos, Cana Brava e Boi II.



A manifestação durou cerca de duas horas e meia e teve como ponto de partida a sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STTR) de Brejo Santo, em sentido à BR-116. Em seguida, o movimento foi ao centro de Brejo Santo para dialogar com moradores da região. A manifestação foi organizada pelo MAB em parceria com o Levante Popular da Juventude, O STTR de Brejo Santo e o Movimento dos Trabalhadores por Direito (MTD).


Os manifestantes também reivindicaram políticas afirmativas para as pessoas que já foram afetadas por barragens, como a indenização justa e o reassentamento das famílias, a reestruturação social econômica e produtiva da comunidade da Vila Produtiva Rural de Vassouras, em Brejo Santo, e a garantia de política de segurança para essas populações atingidas por barragens.

“As famílias estão mobilizadas para garantir seus direitos, não podemos permitir um desastre/crime novamente, por isso se faz necessário garantir os direitos e a segurança das populações atingidas. O Brasil precisa criar uma política nacional de segurança dos atingidos por barragens, o estado Brasileiro precisa se responsabilizar e responsabilizar os que constrói barragens para garantir os direitos dessas populações”, relata Derlane Santos, um dos manifestantes presentes no ato de Brejo Santo.

O movimento também exige que o Governo Federal ofereça acompanhamento médico e psicológico para famílias das regiões, em especial para as que residem nas áreas de risco das obras, e a apresentação de laudo técnico e plano efetivo de segurança das obras das barragens de Atalho, Porcos, Cana Brava, Cipó, Boi I e II.

O povo 

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