Ulysses Sousa
Jornalista

De professor a aprendiz, literalmente. Mesmo com a carreira consolidada de 21 anos no magistério, Carlos Oliveira decidiu dar uma guinada na vida e começar, do zero, a trajetória na Justiça, com coragem e ousadia para mudar. É o que você acompanha na quarta reportagem da série “Judiciário Inclusivo: Nós também fazemos Justiça”

Carlos Aurélio Moura de Oliveira, formado em Pedagogia, exercia a função de diretor de escola quando, em 2012, foi convocado para o Judiciário cearense. Ele havia feito o concurso, mas estava tão envolvido com o magistério que não acompanhava as convocações do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE). “Eu era bem sucedido na minha função e algumas pessoas até me aconselharam a não mudar de profissão. Pedi uma luz a Deus e fui em frente. Não me arrependo, tomei a decisão certa”, avalia.

No início não foi fácil, por se tratar de uma atividade totalmente diferente daquela que estava acostumado, mas teve humildade e vontade de aprender. Passados oito anos como auxiliar judiciário, domina completamente a rotina de serviço. “No começo me ensinaram tudo o que precisava para desenvolver o trabalho. Hoje, sou eu quem ensina”, afirma com convicção o servidor, lotado na 2ª Vara de Iguatu, distante 360 km de Fortaleza. Assista ao vídeo.

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“Trabalhar com o Carlinhos é ter o melhor de um colaborador: dedicação, comprometimento, excelente produtividade e, atrelado a isso, uma enorme disponibilidade em transmitir seus conhecimentos aos demais. Registro, ainda, que sua leveza e postura harmônica são virtudes que agregam ao bom ambiente de trabalho”, elogia a juíza que responde pela 2ª Vara da Comarca, Yanne Alencar. O supervisor da unidade, Cícero Cavalcante, também reconhece os méritos do colega. “Eu o conheço faz oito anos e, há três, ele trabalha conosco. É um servidor competente, que desenvolve várias atribuições, com zelo e dedicação. Além disso, é atencioso e de fácil relacionamento com todos, inclusive no sentido de orientar e ensinar, quando alguém apresenta alguma dificuldade”.

SUPERANDO O PRECONCEITO
Carlos, que tem 54 anos e adquiriu paraplegia em virtude de poliomielite desenvolvida na infância, tem autoestima elevada e sabe lidar bem com a discriminação. “Já acharam que, pelo fato de eu ser cadeirante, não teria condições de exercer a função de professor e diretor de escola. No Fórum, pessoas já se acharam melhores do que eu porque seriam ‘normais’, o que é reflexo de uma sociedade preconceituosa. Isso ocorre sempre, mas a gente combate. Procuro mostrar por ‘a+b’ que não estão corretos.”

Em relação à acessibilidade no Fórum, ele conta que a atual Administração do Tribunal promoveu duas reformas importantes. Uma foi a construção de uma coberta para o estacionamento. “Facilitou, especialmente no período de chuva para retirar a cadeira de rodas do meu carro. E a outra foi a disponibilização de um banheiro adaptado para o uso de todos que frequentam o Fórum de Iguatu.”

ALEGRIA EM FAMÍLIA
O servidor é casado há 24 anos com Renata, comerciante da área de cosméticos, com quem tem dois filhos: Paulo, de 11 anos, e Mikahil, de 13. Neste período em que está no TeleTrabalho em virtude da pandemia, cita como vantagem a oportunidade de estar com a família. “Para mim, é muito gratificante passar mais tempo com minha esposa e meus filhos.”

Outra vantagem é poder acompanhar os estudos dos jovens. “Vejo se estão estudando, e quando eles precisam de ajuda, eu tiro as dúvidas”. Apreciador de cinema, tem como lazer assistir filmes na companhia deles.

Durante o distanciamento social, ele sente falta da companhia dos colegas, mas se comunica pelos meios eletrônicos. “É uma satisfação muito grande estar no Tribunal, porque o meu trabalho me permite fazer cumprir a Justiça. Quando uma pessoa perde uma causa, pode até ficar triste, mas outra ficou feliz porque teve o seu direito reconhecido. Então, sempre penso que fizemos a coisa certa. É reconfortante.” 


TJCE 

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