Os reflexos da pandemia da Covid-19 transformam e readaptam a sociedade em diversas esferas, especialmente num contexto de desigualdade social. Com as mudanças dimensionadas aos poucos, ainda mais por se tratar de uma doença em processo de descoberta, a Escola de Saúde Pública do Ceará Paulo Marcelo Martins Rodrigues (ESP/CE), vinculada à Secretaria da Saúde Estado (Sesa), reuniu, na terça-feira (25), pesquisadores, cientistas e autoridades do Ceará e do Brasil em novo ciclo de debates para discutir o papel da ciência no contexto atual.


Realizado online, o evento foi transmitido pelo canal oficial da ESP/CE no YouTube e teve como convidados o secretário da Saúde do Ceará, Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Dr. Cabeto); o ex-ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende; o presidente da Fundação Cearense de Apoio Científico e Tecnológico (Funcap), Tarcísio Pequeno; o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu de Castro; e o secretário regional adjunto da SBPC, Armênio dos Santos. O presidente da Fundação de Apoio a Serviços Técnicos, Ensino e Fomento a Pesquisas (Fundação Astef), José Barros Neto, mediou as discussões.

Na abertura, o superintendente da ESP/CE, Marcelo Alcantara, pontuou que é necessário compreender mais a fundo a saúde pública nesta pandemia, que ainda não foi superada.

“Além de debater o enfrentamento à Covid-19, é preciso aprofundar a reflexão. Colocar a ciência em pauta é ter uma luz para mostrar caminhos para sairmos desta fase numa situação mais confortável”, salientou o gestor ao comentar que a curva epidemiológica tem se apresentado de forma distinta nos estados brasileiros e até entre cidades.

Nesta análise, Dr. Cabeto defendeu que a desigualdade social resultou em diferentes indicadores relacionados ao coronavírus em Fortaleza, por exemplo. “Fortaleza foi seis cidades numa só. Cada regional teve uma realidade epidemiológica própria, com incidência de Covid-19 e taxa de letalidade distintas”, explicou. Segundo ele, influenciaram vários fatores, como desigualdade de renda, Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), densidade demográfica e ocupação urbana.

O secretário reiterou que a pandemia de Covid-19 pode agravar a crise social, mas que a sociedade precisa estar pronta para repensar um novo modelo de desenvolvimento.

“Primeiramente, a gente precisa aprender que nada será resolvido em dois anos. Será ao longo de décadas e começará a dar certo quando a gente aprender a planejar o futuro”, defendeu.

Para o presidente da Funcap, Tarcísio Pequeno, a pandemia funcionou como uma lente de aumento, uma vez que a atuação da ciência, inovação e tecnologia se aproximou do cotidiano das pessoas com o desenvolvimento, cada vez mais em evidência, de pesquisas nas universidades e instituições brasileiras. Como exemplo local, ele citou o desenvolvimento do capacete de respiração assistida Elmo, a linha de financiamento da Funcap para execução de projetos que auxiliem no enfrentamento à Covid-19 e a tomada de decisões baseada na ciência de dados.

“A gestão das estratégias de combate ao coronavírus foi feita pelo Governo do Ceará a partir da gestão de dados. Todas as decisões ocorreram a partir do aconselhamento do comitê científico e monitoramento do comportamento da doença”, disse.

O Comitê Científico de Combate ao Coronavírus auxilia os governadores a traçarem medidas desde o início da pandemia. Membro da coordenação do colegiado, o ex-ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, destacou que a região, apesar dos indicadores sociais desfavoráveis, atravessa a pandemia à frente do Brasil devido ao alinhamento de diretrizes do colegiado. “A situação ainda não é de tranquilidade, mas enquanto o índice de mortes aumenta em Minas Gerais, por exemplo, nós estamos em queda na maioria dos estados”, pontua.

Ao afirmar que o Nordeste é exemplo devido à atuação do comitê científico e criticar a ausência de uma política nacional de enfrentamento à Covid-19, Ildeu de Castro disse que a pandemia traz, como lição, a necessidade de se respeitar as orientações científicas, médicas e sanitárias. Ele também destacou o papel da SBPC na luta para descontingenciar, no Congresso Nacional, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), principal fonte de recursos para pesquisa no País.

“Muito do que a ciência brasileira poderia ter produzido para enfrentar a pandemia não foi possível por causa do bloqueio dos recursos de fomento, por isso estamos empenhados em desbloquear os 4 bilhões e meio congelados atualmente”, pontua.

O evento Pandemia, Desigualdade e Ciência foi realizado a partir da parceria da ESP/CE com a Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), Fundação de Apoio a Serviços Técnicos, Ensino e Fomento a Pesquisas (Fundação Astef) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

(*)com informação do Governo do Estado do Ceará

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