O Partido dos Trabalhadores (PT) perdeu muita influência, após o turbilhão que foi a Lava Jato ao investigar governos petistas e agentes públicos que atuaram nos governos Lula, Dilma  e Temer.

O ex-presidente Lula não aceita lhe imputarem a tese na qual o PT é uma organização criminosa e não um partido político. Mais ainda: rejeita a pecha de “chefe de quadrilha” e as condenações impostas pelo o ex-juiz Sérgio Moro. O ex-presidente considera as condenações do sítio de Atibaia e do triplex do Guarujá armação política. Está recorrendo.

Para gravar a marca do PT como a de maior partido político de esquerda no Brasil, Lula foi ousado. Levou a legenda a decidir, em convenção, que lançaria candidatura própria nas capitais e grandes cidades do interior e regiões metropolitanas. A tática não agrada a maioria das lideranças e as cabeças mais pensantes do petismo.

Nos últimos dias, Lula tem sinalizado um recuo. Satiriza diálogos na construção de alianças fortes para enfrentar uma direita que vai se revigorando, no Norte e Nordeste, com o crescimento de Bolsonaro. A partir do Auxílio Emergencial, o Palácio do Planalto está criando, através de lei, o "Renda Brasil", que sepulta o Bolsa Família e amplia, em mais 10 milhões, os beneficiários do pacote social.

A saída  do PT, para evitar a tragédia do partido no pleito municipal, é um recuo que pode fazer a legenda avançar no campo eleitoral, construindo alianças viáveis eleitoralmente e, em vários municípios, vencendo no primeiro turno.

O novo radar de Lula pode resolver gargalos em São Luiz, Recife, Salvador, Natal, Fortaleza, São Paulo e Belo Horizonte. A sinalização do ex-presidente de até mesmo não disputar ou lançar candidatura presidencial pelo PT foi um alento, uma sinalização que criou um novo ânimo na esquerda.

O PT cravou 29% no primeiro turno da eleição presidencial e 45% no segundo turno. Foi derrotado porque a esquerda não se sentia representada pelo PT. O candidato competitivo seria Ciro Gomes, até hoje inconformado com o comportamento do ex-presidente Lula, que manobrou para não cumprir o acordo acertado com partidos de esquerda.

Os arquitetos das conversas com as cabeças pensantes do PT, Camilo Santana e Cid Gomes não falam sobre os bastidores da onda de bons sinais no diálogo. Alguns vazamentos sobraram para petistas que não aceitam a nova leitura do cenário político feita pela cúpula do PT. Lula parece ter saído do papel autoritário e aberto a porteira da democracia partidária. Sinalizou que pode alargar vias republicanas para fazer o PT ressurgir, dialogando com a sociedade, através da política.

( Roberto Moreira) 

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