ONYX Lorenzoni falou em zerar a fila do Bolsa Família
ONYX Lorenzoni falou em zerar a fila do Bolsa Família
Alvo de disputa política desde o ano passado, quando o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reduziu drasticamente repasses para estados do Nordeste, o Bolsa Família virou instrumento crucial no enfrentamento ao novo coronavírus.

Apenas no Ceará, são 185 casos confirmados e outras centenas de suspeitos de infecção. No País, os diagnósticos ainda em análise somam mais de 2 mil e as mortes pela doença, 46.
Ante a ameaça de crise econômica na esteira de paralisação das atividades, os governos estaduais pressionaram o Planalto nesta semana a liberar mais recursos e destravar cadastros que tinham sido recolhidos para nordestinos.

Apenas em janeiro, a região foi contemplada com somente 3% dos novos benefícios do programa, embora concentre 46% das famílias mais vulneráveis. Sul e Sudeste abocanharam a maior parte da renda distribuída.
Na última segunda-feira, porém, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, determinou, em decisão liminar, o descongelamento das verbas. Ao mesmo tempo, o ministro Onyx Lorenzoni (Cidadania) anunciou que o Governo Federal iria zerar a fila do Bolsa Família.
A medida foi anunciada durante reunião de Bolsonaro com os chefes de Executivo do Nordeste, também na segunda. Trata-se de ação adotada contra o avanço da Covid-19 prevista num pacote de R$ 88 bilhões.
No Ceará, são quase um milhão de pessoas que recebem dinheiro por meio do instrumento, criado no governo Lula a partir da junção de outros programas já existentes. O número preciso é 979 mil cadastrados para rendimentos que variam de R$ 85 a R$ 170 mensais, a depender do perfil e do número de pessoas em casa.
Deputado federal e coordenador da bancada do Ceará na Câmara, Domingos Neto (PSD) avalia que o Bolsa Família assumiu importância crucial num momento como este, de grave depressão financeira.
"O programa tem capilaridade para chegar às pessoas que mais precisam e são sempre as primeiras a sofrer com as consequências de uma crise", afirmou o parlamentar, relator-geral do Orçamento de 2020.
Ainda de acordo com Neto, o programa exercerá a função de "proteção social em tempos de crise", sobretudo porque a quarentena autoimposta por boa parte das populações já causam perdas econômicas. E acrescenta: "Nós precisamos, diante dessas discussões, permitir que essas políticas possam ser ampliadas", e não apenas desbloqueadas.
Também deputado federal, Idilvan Alencar (PDT) considera que a percepção do Planalto sobre o Bolsa Família parece ter mudado desde o início da pandemia de coronavírus.
"A base do Bolsa Família vai se ampliar", afirma. Para ele, é possível que, com a inclusão de mais pessoas, o perfil do cadastrado até se modifique.


o Povo 
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