O Ministério da Saúde informou no final da tarde desta terça-feira, 28, que investiga mais dois casos suspeitos de coronavírus no Brasil. São duas cidades da região Sul, um em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, e Curitiba, no Paraná. Além deles, o Ministério confirmou hoje o primeiro caso suspeito da epidemia em Belo Horizonte, em Minas Gerais.
Segundo o comunicado, os pacientes estariam
dentro das definições de "caso suspeito" para nCoV-2019, nome técnico do
novo coronavírus, estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde
(OMS). Os sintomas são febre e algum sinal de falha respiratória, além
de viagem para a área de transmissão nos últimos 14 dias.
A Prefeitura de São Leopoldo afirmou, em nota, que o
paciente suspeito tem 40 anos e relatou ter chegado da China há 4 dias.
Ele apresentou febre, na manhã desta terça-feira, 28, e realizou exames
prévios para constatação da doença. O material coletado foi encaminhado
nesta tarde ao Laboratório Central do Estado (Lacen) para análise.
Ainda segundo a prefeitura, o homem é morador da cidade
de Kunming, distante 1500 km de Wuhan, cidade onde apareceram os
primeiros casos do coronavírus.
O que é o coronavírus
As informações do coronavírus começam a ficar claras:
ele é menos mortal que o da Sars (Síndrome Respiratório Aguda Severa),
mas mais transmissível - aparentemente, mesmo antes da aparição dos
sintomas -, enquanto a comparação com seu parente dá pistas de como
combater a epidemia.
Segundo dados divulgados nesta terça-feira, 106
pacientes morreram de um total de 4.500 casos na China. Nenhum paciente
morreu fora da China, enquanto cerca de 50 doentes foram registrados em
uma dúzia de países, da Ásia e Austrália à Europa e América do Norte.
O novo vírus, batizado 2019-nCoV, e o da Sars pertencem
à mesma família de coronavírus e no plano genético têm 80% de
semelhanças.
Segundo a OMS, a epidemia de Sars deixou 774 mortos em
8.096 casos no mundo em 2002/2003, antes de ser interrompida, ou seja,
uma taxa de mortalidade de 9,5% (comparado a 34,5% de outra epidemia
causada por um coronavírus, a Mers).
A taxa de mortalidade do novo coronavírus "é atualmente
inferior a 5%", considerou nesta terça a ministra francesa da Saúde,
Agnès Buzyn.
No entanto, esse número é apenas indicativo: o número
real de pessoas infectadas é desconhecido porque os pacientes com pouco
ou nenhum sintoma não são contados.
Especialistas tentam estimar o número de pessoas contaminadas por uma pessoa infectada.
Os cientistas do Imperial College de Londres estimam
que "em média, cada caso (de um paciente portador do novo coronavírus)
infectou 2,6 pessoas a mais".
Chamada de "taxa básica de reprodução" ou R0, essa medida é importante para entender a dinâmica de uma epidemia.
As diferentes estimativas variam de 1,4 a 3,8, o que é
considerado moderado, explicou à AFP David Fisman, professor da
universidade de Toronto.
No caso da Sars, estima-se que cada caso tenha
infectado uma média de 2 a 3 pessoas (como a gripe), mas com grandes
disparidades: havia "super transmissores" capazes de contaminar dezenas
de pessoas.
No caso do novo vírus, há uma pergunta crucial: em que
estado de infecção o paciente se torna contagioso. "O contágio é
possível durante o período de incubação", ou seja, antes mesmo que os
sintomas apareçam, disse Ma Xiaowei, diretora da Comissão Nacional de
Saúde da China, no domingo. "É muito diferente da Sars", insistiu.
Essa hipótese, no entanto, baseia-se na observação de vários primeiros casos e ainda não está confirmada.
A doença causada pelo novo coronavírus e a Sars
apresentam sintomas comuns, de acordo com a observação dos 41 primeiros
casos detectados na China.
Todos os pacientes sofriam de pneumonia, quase todos
tinham febre, três em cada quatro tossiam e mais da metade apresentava
dificuldades respiratórias.
"Mas existem diferenças notáveis com a Sars, como a
ausência de sintomas que afetam as vias aéreas superiores (congestão
nasal, dor de garganta, espirros)", diz o Dr. Bin Cao, principal autor
desses trabalhos publicados na revista The Magazine Lancet.
A idade média dos 41 pacientes é de 49 anos, e menos de
um terço sofreu doenças crônicas (diabetes, problemas
cardiovasculares...). Quase um terço teve uma condição respiratória
aguda e seis morreram.
Embora não se possam tirar conclusões gerais devido aos
poucos pacientes controlados, essas observações permitem elaborar um
primeiro quadro clínico da doença, muito útil, pois o novo coronavírus
apresenta sintomas semelhantes aos da gripe de inverno, dificultando o
diagnóstico.
Não existe vacina ou medicamento para o coronavírus e a assistência médica é para tratar os sintomas.
A epidemia de Sars foi contida em vários meses, graças à
extensa mobilização internacional. A China impôs rígidas medidas de
higiene à sua população, além de dispositivos de isolamento e
quarentena.
O país também proibiu o consumo de gatos da algália, um mamífero pelo qual o vírus foi transmitido ao homem.
No caso do novo vírus, não se sabe até agora qual
animal desempenha esse papel intermediário. Enquanto isso, a China
proibiu o comércio de todos os animais selvagens.
Finalmente, os especialistas destacam a importância de
"medidas de barreira", eficazes para outras doenças virais, como a
gripe: lavar as mãos com frequência, tossir ou espirrar na dobra do
cotovelo ou no lenço, evitar tocar o rosto...
o Povo