Investimentos nas campanhas de deputados federais eleitos pelo Ceará superam em 550% os derrotados

Blog do  Amaury Alencar
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Legenda: A diferença também aparece no desempenho eleitoral. Os deputados eleitos receberam, em média, 159,3 mil votos, enquanto os candidatos derrotados tiveram uma votação média de 7,6 mil.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil


Os 22 deputados federais eleitos pelo Ceará em 2026 receberam, em média, R$ 2,2 milhões em repasses diretos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). O valor é cerca de 550% superior à média registrada entre os 244 candidatos que não conquistaram uma vaga na Câmara dos Deputados. Nesse segundo grupo, o repasse médio foi de aproximadamente R$ 333 mil por candidatura.


A diferença também aparece no desempenho eleitoral. Os deputados eleitos receberam, em média, 159,3 mil votos, enquanto os candidatos derrotados tiveram uma votação média de 7,6 mil – uma distância de aproximadamente 21 vezes entre os dois grupos.


Ainda que nem sempre mais dinheiro resulte em mais votos dentro de cada partido, todos os políticos eleitos receberam recursos acima da mediana geral, calculada em R$ 300 mil. O indicador identifica o valor central de uma distribuição e sofre menos influência de observações extremas. 

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Os dados mostram uma associação entre o volume de recursos recebidos e o desempenho eleitoral: no conjunto das candidaturas, os eleitos concentraram médias mais altas tanto de repasses diretos do FEFC quanto de votos. Contudo, não há como afirmar que o financiamento, isoladamente, tenha determinado o resultado das urnas.

O PontoPoder realizou um Raio-X sobre os valores de Fundo Eleitoral enviados, sem intermediários, das direções nacionais dos partidos aos candidatos à Câmara dos Deputados no Ceará. 

Por isso, nesta análise, a reportagem não considera eventuais rateios feitos pelas direções estaduais dos partidos aos seus postulantes nem o uso de recursos próprios ou doações de terceiros na contagem da receita. A consulta foi feita pela reportagem entre 21 e 22 de outubro de 2026, no site DivulgaCandContas, do TSE, e os dados foram organizados nos dias seguintes.

Recursos, votos e quocientes

Há também casos que fogem do padrão, indicando que reforço orçamentário não é suficiente para conquistar uma vaga no Congresso Nacional. Um exemplo é Sandrinha Cavalcante (Cidadania), que recebeu R$ 3,1 milhões em repasses diretos do FEFC, mas obteve 43,7 mil votos.

Somada à votação dos demais candidatos do Cidadania e do PSDB, partido com o qual a legenda formou uma federação, a candidatura integrou um grupo que alcançou 169.421 votos no Ceará – abaixo do quociente eleitoral (QE) de 250.984. 

 O QE é calculado pela divisão dos votos válidos apurados no Estado pelo número de vagas em disputa. Esse resultado serve de referência para o cálculo do quociente partidário (QP), que indica quantas cadeiras cada partido ou federação pode ocupar inicialmente. Como a votação da federação PSDB/Cidadania ficou abaixo do QE, ela não alcançou o quociente necessário para obter uma vaga nessa primeira etapa da distribuição.

A definição das demais cadeiras, porém, depende também da distribuição das sobras, feita conforme critérios específicos. As sobras são justamente as lacunas na bancada após a primeira etapa de distribuição das vagas, em razão do não cumprimento, pelos candidatos, da exigência do piso de 10% do QP. Para isso, divide-se o número de votos válidos atribuídos a cada partido pelo número de lugares obtidos por mais 1.

A federação Psol/Rede e outros onze partidos avulsos, de menor musculatura no Estado, passaram pelo mesmo problema. Naquele caso, o candidato com maior investimento e desempenho nas urnas, Renato Roseno (Psol), recebeu quase R$ 2 milhões de FEFC e 116.905 votos, mas esses esforço não foi suficiente para fazer o QE sair de 191.448 para mais de 250 mil.

Como os partidos distribuíram os recursos?

A distribuição dos recursos do Fundo Eleitoral também revela diferenças entre as estratégias adotadas pelos partidos. Embora as legendas tenham autonomia para definir critérios internos de partilha, as regras declaradas à Justiça Eleitoral mostram que são considerados fatores como desempenho eleitoral anterior, possibilidade de eleição, prioridade a candidaturas à reeleição e cumprimento de cotas afirmativas.

No PL, por exemplo, o modelo previa que 70% dos recursos sejam destinados às unidades da federação, os quais seriam divididos conforme a votação nominal para deputado federal e o tamanho das bancadas eleitas em 2022. Já o PSB declarou que priorizaria parlamentares em busca de reeleição e candidaturas com maior viabilidade eleitoral. 

O Cidadania, por sua vez, estabelece preferência para quem já ocupa mandato e direciona ao menos 70% dos recursos para disputas proporcionais.

No PT, a direção nacional informa que realiza transferências diretamente às candidaturas próprias e mantém uma reserva para assegurar o cumprimento das cotas de gênero, raça e indígenas.

Os critérios declarados ajudam a compreender as prioridades formais das legendas, mas os valores transferidos aos candidatos no Ceará revelam que a distribuição também apresenta diferenças entre integrantes de um mesmo partido. Veja a seguir:

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Cabe reforçar que o balanço trazido neste material se refere às receitas públicas de campanha, que podem ter sido gastas ou não. 

Com o fim do período eleitoral, os partidos e candidatos ainda precisam apresentar suas prestações de contas à Justiça Eleitoral, etapa em que são informadas e submetidas à análise, ainda, as despesas realizadas.

O prazo referente às contas de campanha no primeiro turno da disputa de 2026 começou em 5 de outubro e vai até 3 de novembro. 


                                          Ponto Poder 

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