Copom mantém Selic em 13,75% ao ano diante de incertezas fiscais e cenário externo

Blog do  Amaury Alencar
0


Galípolo comanda reunião do Copom, que cita 'postura de cautela' em contexto de incertezaLula Marques/Agência Brasil- 19.05.2026

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (4), manter a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão ocorre em meio às incertezas sobre a condução da política fiscal, à pressão dos juros nas principais economias do mundo e ao aumento das tensões geopolíticas no cenário internacional.

No comunicado divulgado após a reunião, o colegiado destacou o agravamento do ambiente externo, especialmente em razão da continuidade dos conflitos no Oriente Médio e dos impactos sobre os preços do petróleo e de seus derivados. O Banco Central também chamou a atenção para a política monetária mais restritiva nas economias avançadas.

Segundo o Copom, a conjuntura inspira atenção em relação aos mercados em desenvolvimento. “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, afirmou o comitê.

No cenário doméstico, o Banco Central identificou uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica, principalmente nos setores mais sensíveis às oscilações dos juros. Apesar disso, o mercado de trabalho continua resiliente, embora apresente sinais de desaquecimento.

Alerta sobre inflação

Outro fator de preocupação é a inflação. De acordo com o comunicado, tanto o índice cheio quanto a média das medidas de inflação subjacente aceleraram nas divulgações mais recentes, permanecendo acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta.

As expectativas de inflação também se afastaram do objetivo estabelecido pelo Banco Central. Segundo a pesquisa Focus, as projeções para 2026 e 2027 estão em 5,2% e 4,8%, respectivamente. A projeção do próprio Copom para o segundo trimestre de 2028, período considerado o horizonte relevante da política monetária, subiu para 3,5%.

O colegiado também apontou que os riscos para a inflação continuam elevados, com predominância de fatores que podem pressionar os preços. Entre eles estão a desvalorização persistente do real, a alta dos custos de energia e petróleo, os efeitos de condições climáticas sobre a produção agrícola e uma possível resistência da inflação de serviços.

O Banco Central ainda demonstrou preocupação com os efeitos da política fiscal sobre a economia. “O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”, destacou a instituição. 

Desaceleração da economia

Apesar das pressões inflacionárias, o Copom reconheceu que os indicadores de atividade econômica apontam para uma trajetória de desaceleração ao longo de 2026. O cenário representa um desafio para a condução da política monetária, já que a manutenção de juros elevados contribui para conter a inflação, mas também pode restringir o consumo e os investimentos.

Ao justificar a decisão, o comitê afirmou que a manutenção da Selic é compatível com a estratégia de levar a inflação para próximo da meta. “O Copom decidiu manter a taxa Selic em 13,75% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante de política monetária”, informou.

O colegiado acrescentou que a decisão também busca suavizar as oscilações da atividade econômica e contribuir para o pleno emprego, sem deixar de priorizar a estabilidade dos preços.

Ao final do comunicado, o Banco Central ressaltou que o cenário exige cautela e serenidade na condução da política monetária. O comitê afirmou que continuará acompanhando a evolução dos indicadores para avaliar a necessidade de manter o nível de restrição dos juros.

A decisão foi tomada por unanimidade pelos sete integrantes do Copom, incluindo o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Entenda a Selic

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Ela serve de referência para diversas operações financeiras e influencia as taxas cobradas em empréstimos, financiamentos e outras modalidades de crédito.

Quando a Selic sobe, o custo do dinheiro aumenta. Com juros mais elevados, as famílias tendem a adiar compras e as empresas podem reduzir investimentos, já que o acesso ao crédito fica mais caro. A diminuição do consumo e da demanda ajuda a conter a alta dos preços.

Em contrapartida, quando a Selic cai, a tendência é de redução gradual do custo do crédito. O movimento pode estimular o consumo das famílias, facilitar o financiamento de bens e serviços e incentivar os investimentos das empresas, favorecendo a atividade econômica.

A redução da taxa básica, no entanto, não significa que os juros cobrados pelos bancos diminuam automaticamente ou na mesma proporção. As instituições financeiras também consideram fatores como risco de inadimplência, custos operacionais, garantias exigidas e margem de lucro na definição das taxas oferecidas aos clientes.

A Selic também influencia os investimentos. Aplicações de renda fixa atreladas à taxa básica, como o Tesouro Selic, tendem a acompanhar suas variações. Assim, quando os juros sobem, a rentabilidade desses investimentos tende a aumentar; quando caem, o rendimento acompanha o movimento.

A definição da taxa é feita pelo Copom, colegiado formado pelo presidente e pelos diretores do Banco Central. As reuniões ocorrem, em geral, a cada 45 dias, e as decisões levam em consideração indicadores como inflação, atividade econômica, mercado de trabalho, expectativas dos agentes econômicos e cenário internacional.

                                              R7 

Postar um comentário

0Comentários
Postar um comentário (0)