
O potencial da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), sobretudo no mercado imobiliário, ficou evidente na última edição do panorama imobiliário apresentado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon Ceará). Pelo estudo, somente Aquiraz, Caucaia, Eusébio e Maracanaú registraram o lançamento de 4.409 unidades, entre janeiro e julho deste ano, acumulando alta de 64% em relação ao mesmo período do ano passado, quando 2.692 unidades foram lançadas.
Outro dado importante foi Valor Geral Lançado (VGL), que também apresentou avanço de 63% em um ano, somando R$ 1,2 bilhão em investimentos, permitindo um crescimento de 33 para 48 empreendimentos.
Para o especialista em Gestão de Negócios Imobiliários e da Construção Civil pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e CEO da BLD Urbanismo, Irineu Guimarães, os números apontam a consolidação da RMF como um novo vetor de desenvolvimento urbano do Ceará. “A Região Metropolitana está assumindo um protagonismo próprio no mercado imobiliário. O crescimento dos lançamentos mostra que existe demanda e espaço para novos vetores de desenvolvimento. O desafio é fazer com que essa expansão seja acompanhada de planejamento, infraestrutura e serviços, criando cidades mais completas e conectadas”, afirma.
Para Guimarães, o momento é de mudança na dinâmica de crescimento da RMF. “Durante muitos anos, grande parte da expansão imobiliária esteve concentrada no vetor Leste, especialmente em municípios como Eusébio e Aquiraz. Esse movimento continua forte, mas agora começamos a enxergar com muita clareza o fortalecimento de um novo eixo de desenvolvimento no vetor Oeste, com destaque para Caucaia e toda a região influenciada pelo Complexo Industrial e Portuário do Pecém”, afirma.
Para ele, os investimentos previstos e já em implantação nos setores de energia limpa, geração renovável, data centers e hidrogênio verde têm potencial para transformar profundamente essa região, uma vez que, além da instalação de grandes empreendimentos industriais e tecnológicos, essa mudança permite a criação de empregos qualificados, atração de profissionais, fornecedores e novas empresas. “Quando uma região passa a concentrar investimentos dessa magnitude, surge naturalmente uma nova demanda por moradia, comércio, serviços, educação, saúde, lazer e infraestrutura urbana”, destaca.
Atenção
Irineu Guimarães cita Caucaia, como exemplo especialmente estratégico, por estar entre Fortaleza, o Pecém e o litoral Oeste. “Na minha visão, podemos assistir nos próximos anos a um movimento semelhante, guardadas as devidas proporções, ao que ocorreu no vetor Leste com o crescimento do Eusébio: primeiro chegam os grandes vetores econômicos e de infraestrutura e, na sequência, o desenvolvimento urbano passa a acompanhá-los”, acredita.
Contudo, o especialista observa que o excesso de burocracia e a lentidão dos processos podem impedir ou retardar esse ciclo de desenvolvimento. “Grandes investimentos, especialmente em setores como energia limpa, data centers, tecnologia e H2V, disputam espaço em escala global. O capital procura segurança jurídica, previsibilidade, infraestrutura e, principalmente, ambientes onde fique claro que as empresas e os investimentos são bem-vindos”.
Ele lembra que, recentemente, para que tivesse uma postura competitiva na atração desse tipo de investimento, o Ceará avançou na legislação voltada aos data centers, por exemplo. “Esse é o caminho que precisamos fortalecer: poder público, iniciativa privada, universidades e sociedade trabalhando de maneira integrada para transformar nossas vantagens competitivas em desenvolvimento econômico e social”.