A campanha de Ciro Gomes ao Governo do Ceará enfrenta embaraços e contratempos na reta final da eleição após decisão do ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Azevedo impôs restrições a integrantes da chapa e da aliança liderada pelo PSDB, que é integrada pelo PL e pela Federação União Progressista.
A liminar, concedida na noite dessa segunda-feira (28), atingiu Roberto Cláudio (União), candidato a vice-governador na chapa de Ciro, e Capitão Wagner (União), candidato ao Senado, além dos suplentes Prisco Bezerra e Lúcio Gomes.
O conflito nasceu no dia 27 de julho quando, em suas convenções, o União Progressista e o PP decidiram que iriam formar aliança com o PT e apoiar à reeleição do Governador Elmano de Freitas, rejeitando, assim, uma coligação com o PSDB.
O presidente da Federação União Progressista, Capitão Wagner, anunciou, logo após as convenções isoladas do União Brasil e do PP, que prevalecia, naquele momento, a aliança com o PSDB e apoio a Ciro Gomes.
Os diretórios estaduais do UB e do PP contestaram a decisão de Wagner, foram ao TRE, perderam a ação e, em seguida, entraram com recurso junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A liminar concedida pelo ministro Floriano de Azevedo Marques é o principal desdobramento do conflito entre as lideranças estaduais do União Brasil e PP.
EFEITOS IMEDIATOS
Entre os efeitos imediatos estão a restrição ao uso de recursos partidários e eleitorais e mudanças na participação dos candidatos na propaganda gratuita de rádio e televisão.
Com a decisão, Ciro fica temporariamente sem vice e sem a candidatura de Wagner ao Senado. A cúpula estadual da Federação União Progressista, sob o comando do Capitão Wagner, recorreu ao TSE e espera que, nesta quarta-feira (30), consiga reverter a liminar concedida pelo ministro Floriano de Azevedo Marques.
MUDANÇA NA PROPAGANDA
Uma das consequências da liminar é a redistribuição do tempo da propaganda eleitoral. As emissoras de rádio e televisão receberam, nesta terça-feira (29), orientações para alterar as veiculações diante da nova configuração determinada pelo TSE.
Logo após a decisão do TRE que redistribui o tempo de propaganda, Wagner e Ciro perderam veiculações nas emissoras de rádio e televisão. Como desdobramento, a campanha de Elmano, Cid e Luizianne ganharam mais tempo. A medida exigiu mudanças na grade da propaganda eleitoral. A propaganda pelo rádio e pela televisão fica encerrada nessa quinta-feira, 1º de outubro.
CONTRATEMPO
A medida representa um contratempo para a campanha de Ciro por atingir diretamente Roberto Cláudio, seu candidato a vice, além de Capitão Wagner, um dos principais aliados da composição eleitoral. Também fica impedida, enquanto a decisão estiver vigente, a utilização dos fundos partidário e eleitoral pelos candidatos alcançados pela liminar.
FEDERAÇÃO UNIÃO PROGRESSISTA É RETIRADA DA COLIGAÇÃO
O ponto central da decisão está na situação da Federação União Progressista, que deixou de integrar, por força da liminar, a coligação Unir para Mudar, que é liderada pelo PSDB e tem, ainda, a participação do PL.
A partir desse entendimento, surgiram consequências sobre as posições ocupadas pelos candidatos filiados à federação dentro da composição eleitoral. A decisão permanece válida até o julgamento do recurso especial pelo TSE.
O próprio ministro pediu que o caso seja analisado “no menor tempo possível”, citando a proximidade do encerramento da propaganda eleitoral e do primeiro turno.
WAGNER E ROBERTO CLÁUDIO DIZEM QUE SEGUEM CANDIDATOS
Apesar dos efeitos práticos da decisão, Capitão Wagner e Roberto Cláudio afirmaram, em entrevista coletiva nesta terça-feira, que permanecem na disputa.
Wagner declarou estar “tranquilo” e rejeitou a possibilidade de substituição das candidaturas.
“Quero reafirmar a nossa candidatura ao Senado, a do Roberto a vice. A decisão não afeta o vice, nem afeta a mim, então não há qualquer previsão de substituição de candidatura”, afirmou.
A interpretação apresentada pelos candidatos ainda está sujeita à definição do próprio Tribunal Superior Eleitoral.
CANDIDATOS QUESTIONAM ATUAÇÃO DO MINISTRO
Durante a coletiva, Roberto Cláudio também questionou uma suposta relação profissional entre uma filha do ministro Floriano de Azevedo Marques e Júnior Mano, candidato a suplente de senador na chapa de Cid Gomes.
“A gente quer crer que o juiz não sabia dessa informação. Isso por si só deveria levantar a suspeição do próprio juiz”, afirmou. Após o questionamento, Azevedo se afastou da relatoria.
RETA FINAL GANHA NOVO FOCO JURÍDICO
A decisão do TSE acrescenta uma frente jurídica à reta final da campanha de Ciro Gomes. Além da disputa por votos nas ruas, a chapa passa a acompanhar uma controvérsia judicial que interfere na propaganda eleitoral, no financiamento, na própria composição política que sustenta a candidatura e, também, na contabilização de votos.
Se o Pleno do TSE mantiver a liminar contra a participação da Federação União Progressista na aliança com o PSDB, os votos atribuídos ao Capitão Wagner serão contabilizados, mas não divulgados.
Ceará Agora