
Todo o trajeto foi registrado e compartilhado por ele nas redes sociais | Fotos: Reprodução
Rogério Brito
Um cearense natural de Campos Sales, no Cariri, embarcou nesta semana para integrar o Exército da Ucrânia na guerra contra a Rússia. Keyton Sousa, que atualmente mora em Florianópolis (SC), chegou ao país nesta quarta-feira (6) e compartilhou nas redes sociais toda a viagem até o território ucraniano.
A viagem começou com um voo saindo de Guarulhos (SP) para Doha, no Catar. De lá, embarcou para Varsóvia, na Polônia, seguindo posteriormente de ônibus até a cidade de Slava, já em território ucraniano. Todo o trajeto foi registrado e compartilhado por ele nas redes sociais.
Logo após sua chegada, Keyton compartilhou com amigos um vídeo gravado por outro integrante da Legião Internacional para a Defesa da Ucrânia. Nas imagens, o combatente comemora o que afirma ter sido o abatimento de um drone russo.
“Fala aí rapaziada de Campos Sales, tem outros loucos aí também. Meu trabalho aí, derrubei um hoje. Olha que bonitinha, tamanho da hélice do bagulho. Se dividiu em vários, explodiu e caiu no gelo”, diz o militar enquanto mostra destroços do equipamento.
Caririense morreu na guerra em julho
A chegada de Keyton Sousa à Ucrânia ocorre poucas semanas após a morte de outro cearense ligado ao Cariri no conflito. Em julho, Guilherme Bezerra Ávila, de 26 anos, natural de Fortaleza e filho de pais de Várzea Alegre, morreu durante uma operação das forças de defesa ucranianas.
Segundo informações repassadas à família por colegas de missão, Guilherme participava da instalação de minas terrestres quando um dos explosivos detonou, causando sua morte.
O cearense estava na Ucrânia desde 2025. Inicialmente, havia informado aos familiares que seguiria para a Polônia para trabalhar, mas a família só descobriu posteriormente que ele havia se alistado no Exército ucraniano.
Guilherme deixou os pais e um filho de seis anos. Em razão das dificuldades para o traslado do corpo ao Brasil, a família informou que ele foi cremado na Ucrânia e que as cinzas seriam enviadas ao Ceará.
Legião Internacional
A Legião Internacional para a Defesa da Ucrânia foi criada pelo governo ucraniano para permitir o alistamento de voluntários estrangeiros interessados em atuar ao lado das forças do país na guerra iniciada após a invasão russa, em fevereiro de 2022.
Estrangeiros podem ingressar na unidade desde que atendam aos requisitos estabelecidos pelo governo ucraniano, como ter entre 18 e 60 anos de idade, boa condição de saúde e ficha criminal limpa. O recrutamento oficial e a definição da unidade militar são realizados por meio do Centro de Recrutamento para Estrangeiros da Ucrânia.