Ceará pode ganhar protagonismo com avanço das relações comerciais entre Mercosul e China

Blog do  Amaury Alencar
0

 

Responsável por importar cerca de 26% dos produtos oriundos do Mercosul, a China é o principal parceiro comercial do bloco e com Brasil é o principal exportador com US$ 100 bilhões em vendas para o mercado chinês.

- Publicidade -

Nesta Segunda-feira (27), o Palácio do Planalto confirmou que o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, conversou por cerca de meia hora com o presidente chinês, Xi Jinping. O diálogo versou sobre temas globais, parcerias comercias e, principalmente, sobre a possibilidade de um acordo entre o Mercosul e a China.

Para Ângela Lindemberg, especialista em relações empresariais entre Brasil e China, o possível acordo é importante, contudo é necessário mais conhecimento para estabelecer essa relação comercial. “De maneira geral há um grande desconhecimento entre as práticas de comércio dos brasileiros com os chineses. Essa mudança de cenário e uma descentralização do um grande player, que são os Estados Unidos, fazem com que empresários tentem fazer negócios de maneira ocidentalizada, algo que nem sempre é bem-visto no estilo de guanxi (relacionamento) do mercado chinês”, explicou.

A especialista destaca o potencial cearense frente a essa possibilidade. “Com a chegada do DataCenter do TikTok e o acesso direto entre os portos do Pécem e o da cidade de Xiamen, cidade-irmã de Fortaleza que, desde 2023 tem cooperação em diversos setores, fazem com que o Ceará esteja preparado para receber todas essas mudanças de players causadas pelos tarifaços de Donald Trump”.

Setores de energias renováveis, infraestrutura digital e logística portuária serão os mais impactados no primeiro momento, mas Ângela Lindemberg acredita que a intenção dos chineses é avançar para dentro do Estado e faz um alerta sobre a preparação profissional. “Acredito que todos os setores serão atingidos, mas profissionais que falem inglês e mandarim serão primordiais para esse primeiro momento de implantação dessa expansão dentro do mercado cearense”.

Ceará x China

Segundo dados do Governo do Estado, em 2025, as exportações do Ceará para a China atingiram a marca de US$ 86,49 milhões, confirmando registrando um crescimento de mais de 50% em relação ao ano anterior. A China se consolidou como o principal destino asiático do estado e o quinto no ranking geral de mercados externos para os produtos cearenses.

Já de acordo com a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), o setor de rochas ornamentais foi item mais exportado para a China em 2025. Somente esse segmento movimentou US$ 21,5 milhões em vendas e liderando a pauta exportadora do Estado direcionada ao gigante asiático.

O quartzito liderou as exportações com 72% do setor de rochas ornamentais. As vendas desse produto cresceram 165,4%, representando 50% do total da receita mineral. As rochas beneficiadas também entraram na pautra das exportações, incluindo pedras de cantaria e obras trabalhadas, que registraram números positivos de 151,2%.

Ângela Lindemberg acredita que a tendência é que essa relação China x Ceará deva melhorar com o amadurecimento das parcerias. “A atual relação entre o mercado cearense e o chinês é um estranhamento, algo natural para uma potência que está do outro lado do globo em relação ao Brasil, mas com o estreitamento de laços e o aumento das relações entre empresários brasileiros e chineses, esse estranhamento tende a diminuir e abrir portas para novas relações comerciais”, sinalizou a especialista.

Postar um comentário

0Comentários
Postar um comentário (0)