
Alvo do governo americano, que ameaça taxar em 25% produtos brasileiros por causa do Pix, a ferramenta segue se fortalecendo no país e é a principal forma de pagamento adotada pelos pequenos negócios brasileiros. Para microempreendedores individuais, microempresas e pequenos negócios, o sistema reduziu custos de transação, acelerou o recebimento das vendas e passou a ter papel direto na organização do fluxo de caixa.
Segundo a pesquisa “Hábitos Financeiros dos Pequenos Negócios”, realizada pelo Sebrae em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), quase seis em cada 10 donos de pequenos negócios têm o Pix como principal meio de recebimento das vendas. Além disso, 53% dos empreendedores preferem usar a ferramenta para pagar fornecedores e parceiros comerciais.
A adesão é ainda mais expressiva entre os microempreendedores individuais. De acordo com o levantamento, 97% dos MEIs utilizam o Pix como alternativa de pagamento. Para 28% desses negócios, a modalidade responde por mais de 75% de todo o faturamento. Para outros 20%, representa cerca de 51% dos recebimentos-
Para o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, a avaliação feita pelos Estados Unidos é injusta e infundada. Segundo ele, o Pix não interfere no comércio nem nas relações das empresas do setor de cartões de crédito, mas oferece aos pequenos negócios uma alternativa eficiente, rápida e de menor custo.
“É uma avaliação injusta e infundada por parte do governo dos Estados Unidos porque o sistema de pagamento não interfere no comércio e nas relações das empresas do setor de cartões de crédito. No fundo, é uma das formas que o setor utiliza para criar mais oportunidades de crescimento e aumentar a geração de empregos”, avalia.
A dimensão alcançada pelo Pix ajuda a explicar por que o sistema passou a ser observado também fora do Brasil. Dados do Banco Central indicam que a ferramenta tem cerca de 170 milhões de usuários pessoas físicas, o equivalente a 80% da população brasileira, além de mais de 24 milhões de usuários pessoas jurídicas. Anualmente, movimenta mais de R$ 30 trilhões, volume próximo de três vezes o Produto Interno Bruto brasileiro e equivalente a quase 20% do PIB dos Estados Unidos.