
O terceiro período que mais movimenta a economia brasileira já começou. Atrás apenas do Natal e da Black Friday, as festas juninas fizeram circular mais de R$ 7 bilhões no ano passado em todo o País, segundo o Governo Federal. A expectativa é que a dose se repita em 2026, principalmente no turismo, comércio informal, agronegócio e na economia criativa.
Levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) apontou que 90% dos 1.515 municípios entrevistados, terão festividades juninas que agitam a cadeia produtiva, gerando empregos temporários e rendas informais. Segundo o Instituto Opinion Box, 65% dos brasileiros participam de festas juninas e, desses, pelo menos 14% viajam para outras cidades.
Turismo
No turismo e hotelaria, essa dinâmica, sobretudo no Nordeste, faz cidades como Caruaru, em Pernambuco, ter 90% de taxa de ocupação, já no início do mês de junho. Esse fenômeno também embala os setores de linhas aéreas, locação de veículo e o transporte terrestre de passageiros.
No agronegócio e na agricultura familiar, alimentos típicos para a época abastecem a cadeia de alimentos e bebidas. Sem falar na chamada economia criativa que estimula o comércio informal e promove renda extra para microempreendedores, principalmente dos ramos de vestuário e decorações temáticas, além de gerar oportunidades para artistas e músicos regionais.
O economista Ricardo Coimbra destaca que, apesar da sazonalidade, as festas juninas já estão integradas à cadeia econômica brasileira. “É um movimento econômico bastante significativo, pois já faz parte do conjunto econômico de festividades. Além disso, essa movimentação econômica reverbera por todo o ano, pois quando esse acabar, já vão projetar o ano que vem com produtos, produção e infraestrutura”.
2026
Para 2026, somente para as cidades de Caruaru (PE), Petrolina (PE), Campina Grande (PB) e Maracanaú (CE), a projeção é de uma dinâmica econômica que ultrapasse a casa do R$ 1,8 bilhão. A temporada junina também deve gerar mais de 44,5 mil empregos diretos e indiretos, segundo dados das entidades regionais e do Ministério do Turismo
No Ceará, o São João de Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza, vai para a 21ª edição se intitulando de Maior São do Planeta. Em 2025, o evento reuniu mais de 2,7 milhões de espectadores, alcançando marcas superiores a R$ 100 milhões e gerando mais de 4,5 mil empregos diretos e indiretos. Para o economista Helder Cavalcante, além de preservar tradições, as festas juninas têm capacidade de gerar emprego temporário, ampliar faturamento do comércio, fortalecer o setor de serviços e projetar os municípios cearenses como destinos culturais. “Em um Estado com forte vocação para o turismo e para a economia criativa, o ciclo junino representa uma oportunidade concreta de crescimento e desenvolvimento regional”.
(Por Emanuel Santos)