
A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), uma das principais referências mundiais no monitoramento e na previsão do El Niño, fez um alerta aos países sobre a probabilidade de ocorrência do fenômeno nos próximos meses.
De acordo com especialistas, caso o fenômeno se confirme com intensidade, o Brasil tende a repetir padrões históricos.
“Os impactos climáticos tendem a seguir o padrão historicamente observado no Brasil: redução das chuvas e aumento da frequência de veranicos em parte das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, enquanto a Região Sul tende a registrar volumes de chuva acima da média”, afirmou o professor de MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV) e especialista em mudanças climáticas e mercado de carbono, Daniel Caiche.
Ainda segundo o especialista, devido às temperaturas elevadas, o setor agropecuário costuma ser um dos mais afetados.
“Os maiores impactos costumam ocorrer na agricultura, na geração hidrelétrica, nos custos logísticos e, consequentemente, nos preços dos alimentos”, destacou.
SITUAÇÃO NO CEARÁ
Assim como em outras regiões do país, a situação no Ceará também desperta atenção. O diretor de Operações da Cogerh, Tércio Tavares, faz uma analogia com a história de José do Egito e reforça a importância do armazenamento para enfrentar períodos de escassez.
“O que nós fazemos para uma boa gestão da água é nos precaver. É fazer, como eu sempre digo, o que José do Egito fez: utilizar os períodos de fartura para acumular alimentos e enfrentar os sete anos de seca. Aqui no Ceará, aproveitamos os bons anos de chuva que temos tido, pelo menos nos últimos quatro anos, para armazenar água e utilizá-la de forma racional, de modo que dure o máximo possível diante das incertezas que o semiárido nos impõe”, destacou.
De acordo com especialistas, o principal efeito do El Niño neste momento é o aumento da percepção de risco climático para a safra 2026/2027, o que exige maior atenção de produtores, seguradoras e instituições financeiras.
EL NINÕ
El Niño é um fenômeno climático-oceânico que ocorre no Oceano Pacífico tropical, quando as águas da região equatorial centro-leste do oceano ficam mais quentes do que o normal. Ele faz parte de um ciclo natural chamado El Niño – Oscilação Sul (ENOS) e pode afetar o clima em todo o mundo.
Neste ciclo ENOS, o oposto do El Niño é a La Niña, que consiste no resfriamento das águas superficiais no centro-leste do Oceano Pacífico tropical.
Entre os vários impactos do El Niño, destacam-se o aumento das chuvas no sul do Brasil e ao longo do litoral do Peru e do Equador; secas na Amazônia e no Nordeste brasileiro; maior frequência de ondas do calor no centro do Brasil; menor frequência de furacões no Atlântico Norte; e aumento das temperaturas globais.