Atleta caririense conquista dois pódios no Campeonato Brasileiro de Natação para Surdos

Blog do  Amaury Alencar
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Klarissa Lobo, atleta do Cariri.

Foto: Instagram/Klarissa Lobo.

 

Aysha Quezado

atleta caririense Klarissa Lobo, representante da Associação dos Surdos de Juazeiro do Norte (ASJUA), conquistou duas medalhas no Campeonato Brasileiro de Natação para Surdos (CBDS), realizado em São Paulo. Entre os dias 13 e 14 de junho, a nadadora disputou quatro provas e garantiu a prata nos 100 metros costas e o bronze nos 100 metros livre.

Com tradução da intérprete de Libras Júlia Alves, Klarissa contou ao Portal M1 que a competição foi marcada por ansiedade e expectativa, que aumentaram logo após a inscrição. Além das medalhas conquistadas, ela também disputou as provas de 50 metros livre e 50 metros costas.

“Quando começou a prova dos 100 metros livre, nadei muito rápido e, quando percebi que tinha ficado em terceiro lugar, senti uma felicidade enorme. […] Depois descansei e, no final, tivemos a modalidade de costas. Quando vi que fiquei em segundo lugar… Não tenho nem palavras para explicar minha felicidade”, relembrou.

A trajetória de Klarissa na natação começou ainda na infância. Ela treinou a modalidade por volta dos 10 anos de idade, mas interrompeu as atividades aos 14. Anos depois, retomou o esporte ao conhecer um projeto gratuito de natação para surdos, ofertado pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE):

“Quando vi que o IFCE teria natação gratuita para surdos, despertou meu interesse. Parecia que eu tinha voltado ao básico. Sentia que precisava voltar mais pela minha saúde”, contou.

Foi durante os treinamentos que o técnico Cássio Sousa identificou seu potencial para competições. Apesar das dúvidas iniciais, Klarissa aceitou o convite para competir e passou a participar de campeonatos nacionais. Desde então, a atleta já disputou competições em Salvador e São Paulo:

“Em todo o Ceará, na região do Cariri, eu sou a única representante surda na natação. Não temos outros atletas surdos, e nossa… Já tentei convidar amigos, que até iniciaram os treinos, mas acabaram desistindo. Eu, porém, não desisto. Continuo firme, me esforçando e tendo coragem, porque acredito que a pessoa surda é capaz, sim, e eu represento isso”.

A nadadora também agradeceu o apoio recebido da ASJUA, do IFCE, do Programa Paradesporto Brasil em Rede (PPBR), dos intérpretes de Libras e do técnico Cássio, fundamentais em sua trajetória esportiva.

“Se eu consegui conquistar essas medalhas, quero dizer que nós, surdos, somos capazes, sim. Espero que, futuramente, em Juazeiro do Norte, surjam mais crianças, adolescentes e adultos surdos na natação”, concluiu.

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