
Jaskejhan Jorge Emídio (PT). | Foto: Reprodução / Câmara de Jardim.
Bruna Santos
O presidente da Câmara de Jardim, Jaskejhan Jorge Emídio (PT), tomou posse, na última quinta-feira (21), como prefeito interino após a deflagração da Operação Kingdom, da Polícia Federal, que determinou o afastamento temporário do prefeito Antônio Coutinho (PT) e da vice-prefeita Jézika Matias Costa (PSB). A ação investiga uma organização criminosa suspeita de envolvimento em fraudes licitatórias, desvio de recursos públicos federais, corrupção e lavagem de dinheiro.
A solenidade aconteceu em sessão extraordinária. Com a mudança, o vice-presidente da Casa Legislativa, Dezão da Lagoa (PDT), passou a comandar o Poder Legislativo, também de forma interina. Durante o discurso de posse, Jaskejhan prestou solidariedade aos gestores afastados e afirmou que durante o mandato buscará um bom diálogo junto aos vereadores.
“Todo mundo foi pego de surpresa. Não é com alegria que venho a assumir esse posto, mas com a obrigação de tentar trabalhar e fazer o melhor possível pela cidade de Jardim, dando continuidade ao trabalho com seriedade, com a ajuda do povo jardinense e com a ajuda da Câmara Municipal”, disse.
De acordo com as investigações, cinco empresas são suspeitas de integrar o esquema, com núcleo de atuação no município de Jardim. As empresas apresentam indícios de fachada, vínculos familiares e uso de terceiros para direcionar contratos públicos e ocultar recursos desviados.
A PF também identificou indícios de licitações direcionadas para favorecer empreendimentos previamente escolhidos. Uma das investigadas teria movimentado cerca de R$ 290 milhões, com suspeitas de lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.
As cinco empresas mantiveram contratos com mais de 30 municípios do Ceará, Pernambuco e Piauí. Juntas, teriam recebido mais de R$ 15 milhões em recursos públicos federais, além de aproximadamente R$ 32 milhões de órgãos públicos.
Em nota, Antônio Coutinho afirmou que foi surpreendido com a decisão. “Diante das informações iniciais disponíveis, tudo indica que os fatos mencionados dizem respeito a situações vinculadas a gestões anteriores, sem relação com a atual administração municipal”, disse.
Conforme o comunicado, a defesa dos agentes públicos ainda não acessou de forma integral os autos do processo. “Motivo pelo qual qualquer manifestação mais detalhada sobre o conteúdo da decisão será feita oportunamente, com a responsabilidade e a cautela que o caso exige”, pontuou Coutinho.