
Salitre possui aproximadamente 170 agroindústrias voltadas para a produção de farinha | Foto: Centec
Rogério Brito
Representantes de 12 municípios participaram, nesta semana, em Salitre, no Cariri, de uma formação voltada à profissionalização do setor da mandiocultura na região. O encontro reuniu produtores, farinheiros, pesquisadores e técnicos para discutir estratégias de fortalecimento da cadeia produtiva da mandioca no Sul do Ceará.
De acordo com a diretora de Turismo de Salitre, Tereza Mara, a iniciativa busca promover geração de emprego, renda e turismo a partir das potencialidades locais. O projeto prevê ações voltadas à organização dos produtores, modernização das tradicionais casas de farinha, ampliação do acesso a linhas de crédito e expansão dos mercados para os produtos derivados da mandioca.
“No setor da mandiocultura no município só falta investimento nas organizações que já existem e um órgão que compre ou intermedeie, de forma justa e honesta, a compra da farinha para que a gente possa vender direto para o produtor. Eu vejo que a rota da mandiocultura vem com essa pegada de proteção do que é artesanal e de potencializar o que é industrial”, explicou.
A programação contou com representantes, técnicos da Ematerce, agricultores e farinheiros dos municípios que integram o mapa oficial da Rota da Mandioca no Ceará: Salitre, Assaré, Mauriti, Crato, Milagres, Jardim, Brejo Santo, Santana do Cariri, Nova Olinda, Araripe e Altaneira, no Cariri, além de Aiuaba, na região dos Inhamuns.
As diretrizes seguem orientações do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), com foco na inclusão produtiva, inovação e valorização da ancestralidade ligada à produção da farinha e derivados. Entre as medidas previstas estão assistência técnica para pequenos produtores, qualificação de fábricas artesanais e industriais, melhorias no cultivo, incluindo variedades de mandioca mais resistentes à seca e com maior teor de amido.
Durante o seminário, também foi oficializada a criação do Polo Agroindustrial da Mandioca do Sul do Ceará (Pamasuc) e definida a composição do comitê gestor da Rota da Mandioca. A coordenação ficará sob responsabilidade da salitrense e mestranda em Economia Damiana Costa. O roteiro inclui casas de farinha e resgata a história da mandioca na região, desde o plantio até os pratos típicos da culinária local. Ainda foram definidas estratégias, metas e uma agenda executiva voltada ao futuro da mandiocultura no Sul do Ceará.
Com a oficina de formação da Rota da Mandiocultura, organizada pelo MIDR, os trabalhos ganharam novo impulso. Segundo os organizadores, todos os municípios participantes enviaram delegações com forte representatividade.
Participaram do encontro o prefeito em exercício Ronaldo Pereira; o secretário Manoel Filho (Mani); o secretário Mailton Costa; e toda a equipe da Secretaria de Desenvolvimento Agrário de Salitre. Também estiveram presentes o presidente da Câmara Municipal, Sílvio Pinto; representantes do Museu da Geodiversidade de Salitre; Museu Vivo da Mandioca; Diretoria de Turismo de Salitre; Secretaria Estadual do Desenvolvimento Agrário (SDA); Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB); Banco do Nordeste de Campos Sales; e do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Regional do Cariri (Urca).

Todos os municípios participantes enviaram delegações com forte representatividade | Foto: Divulgação
Salitre lidera produção no Nordeste
Segundo dados da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Salitre foi o terceiro maior produtor de mandioca do Brasil em 2024. O município mais do que dobrou a produção em relação ao ano anterior, saltando de 115 mil para 240,1 mil toneladas, um crescimento de 108,62%.
Com o resultado, o município subiu da 15ª para a 3ª colocação no ranking nacional, atrás apenas de Acará e Baião, no Pará, e se mantém como o maior produtor de mandioca do Nordeste, posição alcançada em 2022. Dados apresentados pela Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece) apontam que cerca de 30% dos empregos gerados em Salitre estão ligados diretamente à cadeia produtiva da mandioca.
Outro destaque regional é Araripe, que produziu 72,2 mil toneladas em 2024 e aparece como o segundo maior produtor do Ceará e o quarto do Nordeste.

Museu Vivo da Mandioca, em Salitre | Foto: Reprodução/ Instagram Rondilson Ribeiro
Museu Vivo integra roteiro turístico da mandioca
A expansão da cadeia produtiva da mandioca em Salitre também vem sendo acompanhada de iniciativas voltadas ao turismo cultural. No ano passado, o município inaugurou o Museu Vivo da Mandioca, no Sítio Baixinho. O equipamento passará a integrar a rota turística da mandioca. De acordo com o município, o espaço foi criado para preservar e valorizar a história da mandiocultura e das tradicionais casas de farinha da região.
Além do Museu Vivo, fábricas de farinha, raspadeiras, boleiras de puba, fazedoras de carimã, artesãos que transformam o burranho em vasos e organizadores de festas populares, como a Tratorada e a Festa dos Mandiocultores e Farinheiras, fazem parte do roteiro turístico.