
O sistema bancário brasileiro iniciou 2026 sob um ambiente mais adverso, marcado pela combinação de juros elevados, deterioração do cenário internacional e aumento do endividamento das famílias. Os balanços do primeiro trimestre refletem esse contexto, com forte avanço nas provisões para perdas com crédito e uma postura mais cautelosa das instituições financeiras na concessão de empréstimos.
Itaú Unibanco, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Santander, Banco do Brasil e Nubank ampliaram significativamente as reservas contra possíveis calotes. Juntas, as despesas com provisões somaram R$ 60,2 bilhões entre janeiro e março, um salto de 45,5% em relação ao mesmo período de 2025. Desde o ano passado, por determinação do Banco Central, os bancos passaram a adotar um modelo de perda esperada, que antecipa nos balanços o risco de inadimplência, pressionando diretamente os resultados.
A piora do ambiente macroeconômico tem sido determinante para esse movimento. A taxa básica de juros segue em 14,5% ao ano, enquanto a inflação voltou a acelerar, alcançando 4,39% em 12 meses, com projeções de encerrar o ano próxima de 4,9%. Ao mesmo tempo, o conflito no Oriente Médio adiciona volatilidade aos preços de energia e combustíveis, elevando o custo de vida e comprimindo a renda disponível das famílias.
Dados do BC mostram que o endividamento dos brasileiros atingiu 49,9% da renda em fevereiro, igualando o maior nível da série histórica. Esse quadro tem dificultado a capacidade de pagamento, sobretudo entre consumidores de menor renda, e levado os bancos a restringirem o crédito em segmentos considerados mais arriscados.
Executivos do setor reconhecem a necessidade de maior prudência. Na prática, isso tem se traduzido em critérios mais seletivos e desaceleração na expansão das carteiras. A inadimplência já dá sinais de avanço. Entre os grandes bancos, apenas o Itaú, com foco em clientes de maior renda, conseguiu evitar aumento relevante nos atrasos.