
Trinta e nove por cento dos consumidores pretendem gastar mais no Dia das Mães deste ano, impulsionados principalmente pela busca por presentes melhores e pelo aumento dos preços. O dado, levantado pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), reforça a força comercial da data, considerada a segunda mais importante do varejo, atrás apenas do Natal. Mesmo em um ambiente econômico mais desafiador, a celebração deve movimentar cerca de R$ 37,91 bilhões no cenário nacional e R$ 470 milhões na capital cearense.
De acordo com a pesquisa, 78% dos consumidores pretendem comprar presentes para o Dia das Mães, o equivalente a aproximadamente 127 milhões de pessoas indo às compras em todo o país. O ticket médio estimado é de R$ 294 por consumidor, com a aquisição média de 1,68 presente por pessoa.
Para o presidente da CDL de Fortaleza, Maurício Filizola, os números confirmam a relevância estratégica do Dia das Mães para o comércio. “Os números revelam um consumidor mais consciente, atento aos preços, mas que não abre mão de celebrar uma data tão significativa. Esse equilíbrio entre cautela financeira e apelo emocional cria oportunidades importantes para o comércio, que precisa estar preparado com boas estratégias, diversidade de produtos e experiências diferenciadas para atender a esse público”, afirma.
O economista e sócio da Repense Inteligência Financeira, Bruno Henrique, pondera que essa euforia, esconde uma contradição preocupante. “39% dos que pretendem presentear já têm contas em atraso e, dentro desse grupo, 72% estão negativados. Para o varejo, a notícia é boa; para a saúde financeira das famílias, o efeito tende a se dissipar nos meses seguintes em forma de juros e inadimplência. A recomendação técnica é simples: definir teto de gasto antes de pesquisar, priorizar Pix à vista e resistir ao impulso das telas. Afeto que compromete o orçamento de junho e julho não honra ninguém”
Preços
A percepção de preços mais altos aparece como um dos principais fatores de influência sobre o comportamento de compra. Conforme o levantamento, 66% dos consumidores avaliam que os produtos estão mais caros do que no ano anterior. Ainda assim, o desejo de presentear permanece forte, sustentado por sentimentos como gratidão, reconhecimento e pelo hábito de homenagear pessoas queridas. No outro extremo, 19% dos entrevistados afirmam que pretendem gastar menos, citando necessidade de economizar, endividamento ou dificuldades financeiras.
Entre os produtos mais procurados, destacam-se itens de moda, como roupas, calçados e acessórios, além de perfumes, cosméticos, chocolates e flores. A pesquisa também aponta avanço na procura por experiências, como restaurantes, viagens e serviços de bem-estar, o que amplia as possibilidades de venda para diferentes segmentos da economia. Essa diversificação do consumo mostra que o Dia das Mães deixou de se concentrar apenas nos presentes tradicionais e passou a incorporar opções ligadas à convivência, ao lazer e ao cuidado pessoal.