Chinaglia aciona TSE para investigar aporte de R$ 134 mi em filme sobre Bolsonaro

Blog do  Amaury Alencar
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Chinaglia pede que Justiça Eleitoral investigue financiamento do longaBruno Spada/Câmara dos Deputados - 13.05.2026

O deputado federal Arlindo Chinaglia acionou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nesta quinta-feira (21) para pedir a abertura de uma investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na representação, o parlamentar aponta suspeitas de abuso de poder econômico, uso eleitoral da produção audiovisual e possível caixa 2.

O documento protocolado pede a instauração de uma AIJE (Ação de Investigação Judicial Eleitoral) para apurar a origem dos recursos usados na produção do longa, que teria orçamento estimado em R$ 134 milhões. Segundo a peça, o projeto estaria sendo financiado majoritariamente pelo banqueiro Daniel Vorcaro, preso preventivamente na Operação Compliance Zero, que investiga suposta fraude bilionária envolvendo o Banco Master.

Na ação, Chinaglia afirma que o filme teria “finalidade extra-artística ou comercial” e poderia funcionar como instrumento de propaganda eleitoral em favor do grupo político ligado a Bolsonaro e ao senador Flávio Bolsonaro, citado no documento como arrecadador de recursos do projeto.

“O financiamento massivo de obra que visa exaltar parente, correligionário, cuja identidade política não pode ser dissociada do atual candidato, possui repercussões eleitorais claríssimas”, diz trecho da representação.

O parlamentar também sustenta que o lançamento do filme está previsto para setembro de 2026, em pleno calendário eleitoral, e menciona que trailers e roteiros divulgados na imprensa reproduzem símbolos, slogans e discursos associados ao bolsonarismo. 

Suspeita de uso eleitoral

A representação afirma que, segundo reportagens citadas no documento, Daniel Vorcaro teria negociado aporte de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação da época, para financiar o filme. Parte dos valores, segundo a ação, teria sido transferida por meio da empresa Entre Investimentos e Participações Ltda.

Chinaglia argumenta que a operação levanta dúvidas sobre a racionalidade econômica do investimento, já que especialistas do setor audiovisual consideram improvável que um filme brasileiro consiga arrecadar valores suficientes para garantir retorno financeiro proporcional ao aporte milionário.

“O hiato entre o aporte realizado e o retorno comercial, tido, até agora, como impossível, constitui indício de ilicitude”, afirma a representação.

O que pede a ação

Entre os pedidos feitos ao TSE, Chinaglia solicita:

  • abertura de investigação judicial eleitoral;
  • rastreamento da origem e destino dos recursos usados no filme;
  • apuração de abuso de poder econômico e político;
  • investigação sobre arrecadação ilícita de recursos;
  • eventual impedimento do uso do filme como propaganda eleitoral em 2026.

A ação também pede diligências específicas para identificar a cadeia financeira da produção e verificar se houve utilização de pessoas jurídicas para mascarar doações eleitorais, hipótese que poderia configurar uso de fonte vedada e caixa 2 eleitoral.

                                                 R7 

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