
O senador Camilo Santana voltou a afirmar que o governador Elmano de Freitas (PT) é o candidato de seu partido nas eleições deste ano.
“Eu não acredito em projetos pessoais, né? Hoje nós estamos num projeto que tem a nível federal o apoio do presidente Lula aqui no Ceará, com o governador Elmano […] Eu fui convidado pelo presidente Lula para ajudar na coordenação nacional da campanha. Então, tem essa missão e essa tarefa importante […] Eu vou procurar ajudar muito aqui na reeleição do governador Elmano [que] tem o apoio do senador Cid [Gomes], do senador Camilo, de vários partidos importantes da base aliada”.
A pergunta foi feita ao senador pelo O Estado CE na noite desta quinta-feira (7), em coletiva de imprensa realizada antes de evento da AJE, em Fortaleza. A reportagem também questionou sobre se o cenário de Elmano como candidato permanece apesar de pesquisas eleitorais indicarem maior percentual de intenções a Camilo diante do potencial candidato oponente na disputa, Ciro Gomes (PSDB).
“Eu recebi uma pesquisa ontem, uma pesquisa interna, 75% da população ainda não sabe em quem vai votar no Ceará. Sempre digo que pesquisa é o retrato do momento. Lembro que o Elmano quando começou, a minha primeira eleição, inclusive, também, comecei lá embaixo, o Evandro também”.
O senador, um dos principais líderes políticos do cenário estadual, se referiu ao contexto eleitoral local como um momento de “projetos antagônicos”, atribuindo a definição também ao Brasil.
“Me diga o que é que o governo Bolsonaro fez no Ceará nos 4 anos que ele foi que ele foi presidente”? Absolutamente nada. Ao contrário, foi um governo negacionista […] Não tem uma escola, uma creche, uma estrada, uma casa construída nos quatro anos do governo do Bolsonaro”.
Camilo chamou a oposição eleitoral ao governador como uma “turma” que “se uniu todinha aqui no Ceará”, em crítica velada a ex-aliados, como Ciro Gomes, presidente do PSDB e Roberto Cláudio, presidente do União Brasil Fortaleza.
“Essa turma se uniu todinha aqui no Ceará para ir contra um projeto que levou hospitais para o Interior, que está levando tratamento de câncer para o Interior do estado. Nós fizemos um hospital do estado no Interior do Ceará. Que hoje está trazendo novos institutos federais, novas universidades, investindo em educação, investindo em segurança. É esse projeto que nós vamos debater”.
Questionado novamente na coletiva se “admite” ser candidato ao Governo do Estado em um cenário de candidatura “mais viável” que a de Elmano, Camilo respondeu “Meu candidato a governador chama-se Elmano de Freitas” e que “vamos trabalhar muito para que a gente possa reeleger o governador”.
Sobre a hipótese de desenhar uma futura sucessão de Lula, o parlamentar aponta que objetiva terminar seu mandato, que vai até 2030, negando estar se cacifando eventualmente para tal posição.
“Eu defendo que seja uma mulher”, aponta sobre vaga de vice
Ao O Estado CE após a coletiva, Camilo afirmou que defende que a chapa de reeleição de Elmano traga uma mulher como vice. “Eu defendo que seja uma mulher […] As mulheres precisam estar representadas”.
O parlamentar disse que não há nomes para a posição. Indagado novamente pela reportagem sobre como estão as articulações para o nome ao Senado, Camilo citou nominalmente Eunício Oliveira, presidente do MDB, e o senador Cid Gomes (PSB), bem como os partidos PSD e Republicanos.
Sobre a possibilidade do deputado federal Júnior Mano (PSB) ser indicado ao Senado pela vaga que seu partido defende ter na majoritária, o ex-governador argumentou não haver “veto a ninguém” e que considera Cid “um grande homem público” e um “grande” ex-governador.
“[É] importante ele continuar com o mandato de senador para defender o Ceará lá em Brasília, defendendo os interesses do Estado […] O que defendo não é nada contra o Júnior Mano, um grande parlamentar, um grande deputado, mas o que defendo é que a gente possa estimular que o senador Cid seja candidato à reeleição”.
“Não há um projeto pessoal de ninguém. É um projeto coletivo”
Na última quarta-feira (6), Elmano sinalizou que a decisão sobre ser ou não vice em sua chapa de reeleição é de Cid. A possibilidade foi levantada em abril pelo presidente da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), Romeu Aldigueri (PSB), que declarou em conversa reservada com O Estado CE que considera “invencível” no primeiro turno uma chapa com Elmano à reeleição e Cid como vice.
Na coletiva, Camilo comentou a possibilidade e também se há mal-estar entre ele e Cid. “De forma alguma, de forma alguma. A gente tem que sempre acreditar que a parceria com o ex-governador e o senador Cid e com os nossos aliados é uma parceria pelo bem do Ceará. Não há projeto pessoal de ninguém, é um projeto coletivo”.
Pontuando crescimentos econômicos, educacionais e sociais de um projeto, segundo defende seu grupo político, iniciado com Cid, em 2006, ano de sua primeiro eleição como governador, Camilo disse que o senador “tem toda a autoridade de ser o que ele quiser” e voltou a falar na defesa da “continuidade [de Cid] como senador da república”. Sobre seu também aliado Chagas Vieira (PDT), Camilo afirmou ser um “grande quadro”.
“É uma pessoa inteligentíssima e está preparado para ser o que ele quiser também. Então, o bom da gente é porque a gente tem um bom time, bons quadros, bons jogadores. Vamos escolher na hora certa aqueles que vão representar esse projeto, que a gente possa apresentar com todo o respeito à população cearense, fazer o bom debate, fazer a boa política, sem agredir ninguém, conversando, dialogando com a verdade, sem fake news, sem mentiras”.