Morada Nova: 3 vereadores tomam posse na Câmara após operação que prendeu parlamentares

Blog do  Amaury Alencar
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Arnaldo Cazuza, Edmundo Araújo e Edinho

Arnaldo Cazuza, Edmundo Araújo e Edinho / Crédito: Reproduções/Instagram: @arnaldocazuzaaruaru, @edmundoaraujo_ e @edinhomnova


A Câmara Municipal de Morada Nova, município distante 166 quilômetros de Fortaleza, empossou na manhã da última segunda-feira, 23, três novos vereadores. Posse ocorreu após operação que prendeu outros parlamentares neste mês.

Os petistas Arnaldo Cazuza, Edmundo Araújo e José Edner Nogueira da Silva, conhecido como Edinho, assumem como vereadores após prisão de outros cinco vereadores de Morada Nova no âmbito da Operação Traditori, que investiga uma organização criminosa suspeita de atuar no Vale do Jaguaribe.


Também voltou ao referido Legislativo o vereador Weder Basílio (PP), que estava como secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Empreendedorismo, para ocupar a vacância de Regis Rumão (PP), preso na operação. Renato das Vazantes (PSB), suplente que já estava em exercício desde outubro de 2025, ocupa a vaga de Júnior do Dedé (PSB), que se encontra em prisão domiciliar. 

O que houve na Câmara de Morada Nova?

Cinco vereadores de Morada Nova foram presos no âmbito da Operação Traditori, que visou desarticular uma organização criminosa com atuação no Vale do Jaguaribe. 

Entre os presos nessa ofensiva, deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (Ficco/CE), estão o presidente da Câmara Municipal, Hilmar Sérgio (PT); a primeira secretária da Casa Legislativa, Gleide Rabelo (PT); e o vereador Régis Rumão, além de Júnior de Dedé. 

De acordo com a Ficco/CE, os parlamentares envolvidos na investigação teriam recebido apoio financeiro de uma facção criminosa nas eleições de 2024, quando ainda eram candidatos, e, em troca, retribuído com nomeações em cargos públicos e outras vantagens.

Documentos aos quais O POVO teve acesso ainda em dezembro de 2025 indicavam que, pelo menos, três então candidatos a vereador e um postulante a prefeito teriam recebido valores entre R$ 100 mil e 375 mil.

Na época, um homem foi preso e a extração dos dados dos aparelhos apreendidos mostrou que uma das formas utilizadas por ele para lavar o dinheiro era através de empréstimos mediante pagamento de juros, conhecido como agiotagem. 

Além dos parlamentares presos, foi alvo da operação Marco Bica (PT), que era diretor da Superintendência de Obras Hidráulicas do Ceará (Sohidra). Ele pediu afastamento do cargo após a ação policial.

Prisão domiciliar

Dos cinco vereadores presos em Morada Nova, Júnior do Dedé e Gleide Rabelo tiveram prisão domiciliar concedida. As decisões foram publicadas no Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE).  

Segundo a defesa, Júnior do Dedé é advogado inscrito nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e estava detido na Delegacia de Capturas e Polinter (Decap), que, ainda conforme a defesa, “não dispõe de instalações aptas a caracterizar Sala de Estado-Maior”.

Já a defesa de Gleide Rabelo alegou vulnerabilidade familiar, por ser mãe de uma criança diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), “que demanda cuidados maternos contínuos”. Além disso, ainda segundo a defesa, a vereadora apresenta “condições de saúde que demandam atenção”.

Ambos devem utilizar tornozeleira eletrônica e podem sair de casa apenas mediante autorização judicial ou em caso de urgência ou emergência médica. Também ficam proibidos de manter contato com pessoas ligadas ao processo, bem como testemunhas.

                                                       o povo 

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