O ex-deputado federal Capitão Wagner afirmou, nesta sexta-feira (27), que a federação formada por União Brasil e Progressistas no Ceará estará oficialmente no campo da oposição nas eleições de 2026. A declaração foi feita durante uma transmissão ao vivo, na qual o político detalhou os bastidores da articulação partidária no Estado.
Segundo Wagner, a definição já foi formalizada pela direção nacional da federação, que também confirmou o nome dele para presidir a estrutura no Ceará. De acordo com o ex-deputado, a decisão encerra especulações sobre uma possível aproximação com a base governista. Ele antecipou ainda que, até o próximo dia 4 de abril, prazo final da janela partidária, o União Brasil deverá receber novas filiações de nomes relevantes da política estadual.
Durante a fala, Wagner destacou que o posicionamento oposicionista já havia sido alinhado previamente, inclusive no processo de filiação do ex-prefeito Roberto Cláudio ao partido. O ex-deputado afirmou ainda que o compromisso foi reforçado em reuniões com lideranças nacionais e deve se refletir no apoio a uma candidatura de oposição ao Governo do Estado.
Nesse contexto, o nome do ex-ministro Ciro Gomes aparece como principal aposta do grupo. Wagner indicou que a pré-candidatura deve ganhar força com a consolidação da federação, que amplia tempo de rádio e televisão, além da estrutura política para a disputa eleitoral.
Wagner também comentou movimentações recentes no cenário político local, como desfiliações e rumores envolvendo a composição da federação, e negou qualquer mudança de rumo. Segundo ele, o grupo segue alinhado com o projeto oposicionista desde as eleições de 2022.
Além disso, Wagner afirmou que novas filiações devem ocorrer nos próximos dias, com o objetivo de fortalecer chapas proporcionais e ampliar a base de apoio da federação no Estado.
O ex-deputado federal Capitão Wagner sai na frente na disputa interna pelo comando da Federação União Progressista no Ceará e consolida-se uma vitória sobre o deputado federal Moses Rodrigues, em um embate que expõe as divisões políticas dentro da legenda.
DIVISÃO
Apesar de estarem sob o mesmo guarda-chuva partidário, Wagner e Moses seguem caminhos opostos. Enquanto Moses Rodrigues mantém alinhamento com os governos Elmano de Freitas e Lula, trabalhando para aproximar a federação do bloco governista, Capitão Wagner se posiciona na oposição, alinhado ao projeto político de Ciro Gomes e articulando para fortalecer uma aliança com o PSDB.
A vitória de Wagner, no entanto, não encerra a disputa interna, que ainda segue em curso nos bastidores. O novo presidente da federação assume o comando em meio a um cenário desafiador: o União Brasil perdeu cerca de 210 mil votos com as saídas dos deputados Danilo Forte e Fernanda Pessoa, o que representa, na prática, o enfraquecimento da bancada federal e a perda de potencial eleitoral.
Wagner terá como missão reorganizar o partido, recompor forças e montar uma chapa competitiva para as eleições de 2026, em um ambiente ainda marcado por tensões internas e disputas de rumo político.
Mesmo com o cenário adverso, o ex-deputado comemora o que considera uma vitória estratégica contra o bloco governista dentro do União Brasil, dando início a uma nova fase na condução da federação no Ceará.
