
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta quinta-feira (12/03), uma redução no custo dos empréstimos para mulheres que integram cooperativas de crédito, em uma iniciativa voltada a ampliar a inclusão financeira feminina e fortalecer o cooperativismo como instrumento de desenvolvimento regional. A nova modalidade, batizada de Procapcred Mulher, começará a operar em abril e oferecerá taxas mais baixas e prazos mais longos para as cooperadas.
Na prática, o barateamento do crédito ocorrerá por meio da redução do spread cobrado pelo banco, isto é, da diferença entre o custo de captação do BNDES e a remuneração embutida no financiamento final. Para mulheres das regiões Norte e Nordeste, a remuneração básica do banco cairá de 0,85% para 0,50% ao ano. Nas demais regiões do país, o recuo será de 1,25% para 0,85% ao ano. A medida cria uma vantagem adicional para Norte e Nordeste, regiões onde o acesso a crédito produtivo costuma ser mais restrito e onde políticas diferenciadas tendem a ter maior impacto social e econômico.
Além da redução das taxas, o BNDES ampliará o prazo de quitação dos financiamentos, que passará de 12 para até 15 anos, com dois anos de carência para início da amortização. Segundo o banco, a mudança deve reduzir o valor das parcelas e aumentar a capacidade de acesso ao crédito, especialmente para mulheres empreendedoras, trabalhadoras autônomas e produtoras rurais que operam com menor folga de caixa.
O anúncio foi feito na sede do banco, no Rio de Janeiro, durante evento em alusão ao Dia Internacional da Mulher. Ao lançar a iniciativa, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que o cooperativismo é uma prioridade da instituição e associou a medida à necessidade de ampliar a participação feminina no sistema cooperativo. A avaliação do banco é que, sem condições específicas de acesso, a presença das mulheres nesse mercado tende a continuar abaixo do potencial. Os números ajudam a explicar a aposta. As cooperativas de crédito reúnem cerca de 20 milhões de associados no país, e as mulheres representam aproximadamente 44,5% desse total.