
Em meio ao início do ano legislativo e à abertura da campanha salarial de 2026, servidores públicos estaduais foram às ruas de Fortaleza, na manhã desta quarta-feira (4), para cobrar do Governo do Ceará a abertura de negociação sobre a reposição salarial da categoria. O ato reuniu representantes de 41 entidades e seguiu da Praça da Imprensa até a Assembleia Legislativa do Ceará (Alece).
O ato reuniu servidores ativos e aposentados de diversas áreas, como educação, saúde, sistema penitenciário e setor administrativo. O movimento foi organizado pelo Fórum Unificado das Associações e Sindicatos dos Servidores do Estado do Ceará (Fuaspec), que representa mais de 160 mil trabalhadores entre ativos e inativos.
Na Alece, uma comissão do Fórum foi recebida pelo presidente da Casa, deputado Romeu Aldigueri (PSB), pelo líder do governo, deputado Guilherme Sampaio (PT), e pela deputada Larissa Gaspar (PT). O encontro resultou no agendamento de uma reunião com o Executivo estadual no próximo dia 10, às 15h, no Palácio da Abolição, para dar início às tratativas salariais.
“A gente veio em busca da Assembleia para ajudar na articulação com o governo do Estado e já saímos com uma data definida para iniciar a negociação da reposição salarial dos servidores e servidoras do Ceará”, afirmou o coordenador do Fuaspec, Nilson Cardoso.
Segundo ele, a principal reivindicação apresentada é a reposição salarial de 7,74%, além do respeito à data-base da categoria, fixada em 1º de janeiro.
Nilson destacou que o ato expressa a unidade do funcionalismo público estadual e relacionou a pauta salarial ao desempenho do próprio Estado. “O governo costuma destacar a eficiência do Ceará e os avanços apresentados. Esse avanço passa necessariamente pelo trabalho dos servidores que estão na ponta da execução das políticas públicas”, afirmou. “Esperamos que esse reconhecimento se traduza em uma negociação justa.”
O líder do governo na Alece, deputado Guilherme Sampaio, classificou a reunião como produtiva e afirmou que a Assembleia atuará como mediadora entre os sindicatos e o Executivo. “Articulamos de imediato uma reunião na Secretaria de Articulação Política, no Palácio da Abolição, para afunilar o diálogo e viabilizar, no menor prazo possível, a votação do reajuste dos servidores públicos do Estado do Ceará”, declarou.
Guilherme lembrou que modelo semelhante foi adotado recentemente na negociação com os profissionais da educação, que resultou na aprovação do piso do magistério, com repercussão na carreira e extensão a aposentados, pensionistas e professores temporários.
Além da pauta salarial, os servidores apresentaram reivindicações específicas. No caso das universidades estaduais, foi destacada a carência de docentes. “Somente na Uece faltam mais de 400 professores. Se incluirmos a Urca e a UVA, esse número é ainda maior”, alertou Nilson Cardoso.
Ao final do ato, os representantes reforçaram que a mobilização marca o início da campanha salarial e que novas ações podem ser realizadas caso não haja avanço nas negociações com o governo do Estado.
Por Querol Carvalho