
Imagine o sertão do Cariri, no sul do Ceará, como um lugar de trabalho intenso, onde a terra produz muito e o conhecimento não falta. Ali, associações produtivas dominam técnicas, diversificam culturas e apostam no futuro. Mas, por anos, um obstáculo insistiu em ficar no caminho: a distância. Longe dos grandes centros como Fortaleza e Recife, o custo para levar a produção até o mercado sempre foi alto demais, tirando competitividade de quem produz no centro-sul do estado.
Essa história é vivida de perto pela Associação dos Produtores de Algodão do Estado do Ceará, a APAECE.
Criada em 2020, ela reúne produtores espalhados por cidades como Missão Velha, Barbalha, Brejo Santo, Mauriti, Abaiara, Milagres e Porteiras. São mil hectares de algodão cultivados com dedicação, mas quase tudo depende das estradas.
O frete rodoviário, muitas vezes, triplica os custos. Para comprar adubo ou receber insumos que vêm da Bahia ou chegam pelo Porto de Suape, cada viagem pesa no bolso e ameaça a viabilidade do negócio.
É aí que surge uma nova esperança nos trilhos. Em Missão Velha, uma das principais áreas de plantio, está previsto um terminal da Ferrovia Transnordestina. Para os agricultores, isso muda tudo.
O algodão, que só se sustenta em larga escala, ganha chance real de competir, chegando com mais rapidez e menor custo aos portos de Porto do Pecém e Porto de Suape.
Enquanto os trilhos avançam, outra força se organiza: o cooperativismo. Com apoio do Sistema OCB, produtores aprendem a se unir, comprar juntos, vender melhor e acessar crédito e novos mercados.
Assim, vagão por vagão, parceria por parceria, o Cariri começa a escrever um novo capítulo — onde a produção do sertão não para na porteira, mas segue viagem rumo ao Brasil e ao mundo.
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