As declarações do CEO global da Enel, Flavio Cattaneo, durante evento com investidores em Milão, nesta segunda-feira (23), repercutiram com apreensão no Ceará. O executivo afirmou que as negociações para a renovação das concessões da empresa no Ceará e no Rio de Janeiro estão praticamente concluídas, ao mesmo tempo em que declarou que, em São Paulo, “só Jesus Cristo” poderia evitar apagões diante das atuais condições da rede elétrica.
No Ceará, onde consumidores enfrentam sucessivas queixas sobre falhas no fornecimento de energia, a fala gerou preocupação. Problemas no serviço são registrados nos 184 municípios, com maior volume de reclamações na Região do Maciço do Baturité.
Segundo Cattaneo, tanto no Ceará quanto no Rio de Janeiro as tratativas para prorrogação dos contratos de distribuição de energia avançaram e estão perto da conclusão. A empresa também anunciou que pretende ampliar investimentos nos próximos três anos, com foco maior em energias renováveis na Europa e nos Estados Unidos, considerados mercados de ambiente regulatório mais estável. A informação foi publicada pelo O Globo.
APAGÕES EM SÃO PAULO
Ao ser questionado sobre os apagões em São Paulo, alvo constante de críticas, o CEO disse que “humanamente” a empresa tem feito tudo o que é possível para restabelecer o serviço com rapidez. “Se permanecer esse jeito, com queda de árvores sobre a fiação, só tem um capaz de gerenciar, mas este não é humano, é Jesus Cristo”, observou.
Cattaneo, argumentou que São Paulo é a única grande cidade onde a rede de distribuição é predominantemente aérea e atravessa áreas com muitas árvores, ao contrário de capitais como Madri, Paris e Roma, que possuem redes subterrâneas. De acordo com o executivo, as mudanças climáticas, com tempestades e ventos mais intensos, tornam “impossível” evitar interrupções nesse cenário.
DESINTERESSE PELA VENDA
Mesmo sob críticas, Cattaneo afirmou que a Enel não tem interesse em vender a operação em São Paulo e garantiu que a empresa cumpre os critérios estabelecidos no contrato de concessão. Segundo ele, parte do problema envolve a responsabilidade municipal pela poda de árvores.
A companhia propôs a criação de “corredores elétricos”, com manejo da vegetação e substituição de árvores de grande porte por espécies menores. O CEO informou ainda que a Enel prepara comunicação formal ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, para discutir soluções estruturais.
