
Mesmo enfrentando a ausência de sede e mobilizando a cidade há mais de quatro meses por meio das redes sociais, a Cia Ortaet de Teatro segue resistindo e investindo na formação artística. Com 26 anos de atuação em Iguatu e região, o grupo está com inscrições abertas para a Escola de Teatro por meio do ‘Projeto Olaria’, iniciativa que há mais de uma década desenvolve ações formativas no município.
Doutor em Teatro e atualmente em pós-doutorado, Cleilson Queiroz, membro da companhia, destaca que a criação da escola surge também como resposta às limitações estruturais enfrentadas pelo setor cultural. Segundo ele, “as políticas culturais são limitadas e, consequentemente, a formação também é limitada”. Para o pesquisador, ampliar o acesso à formação é fundamental para fortalecer o fazer teatral na cidade.
Cleilson será responsável por ministrar o módulo “Jogo em Cena I”, que integra a programação formativa do projeto. A proposta é trabalhar fundamentos do teatro por meio de exercícios práticos, composição de cena, exploração do corpo, figurino e iluminação. “Para quem sempre buscou pautar o trabalho do ator no palco, a composição do teatro com figurinos e iluminação é essencial. O curso também ofertará informações nesse sentido ao longo do ano”, afirmou.
A formação será organizada em módulos mensais, com uma semana de aulas intensivas por mês, possibilitando que os participantes tenham contato progressivo com diferentes aspectos da linguagem cênica.
As inscrições para a Escola de Teatro começaram no dia 5 e seguem até 15 de fevereiro. Os interessados devem acessar o formulário disponível no link da bio do Instagram oficial da companhia, @ciaortaet.
Identidade e resistência
A trajetória da companhia é marcada pela pesquisa e pelo teatro documentário. Um dos exemplos citados por Cleilson é o espetáculo “Chorume”, montagem construída a partir de pesquisa em documentos levados à cena. “A montagem tem a preocupação de trabalhar no teatro documentário, com pesquisa em documentos em cena”, explicou.
Apesar da produção consistente e do reconhecimento acadêmico — o grupo é tema de tese de doutorado, sendo uma das poucas companhias do Estado a se tornar objeto de estudo — a Cia Ortaet enfrenta a ausência de um espaço próprio. O galpão que durante quase 16 anos abrigou processos criativos, formativos e artísticos está fechado há cerca de 200 dias por falta de apoio financeiro e institucional.
Nas redes sociais, os integrantes têm mobilizado moradores, empresários, instituições e autoridades para sensibilizar a cidade sobre a importância do grupo. “Ter um espaço nosso nos dá flexibilidade para ensaiar, produzir e exercer o teatro como um direito do cidadão. É também um ato de pertencimento artístico”, disse.
Cleilson ressalta que é preciso compreender o papel da companhia na história cultural do município. “A companhia faz parte da identidade de Iguatu”, disse, lembrando que a cidade é historicamente reconhecida por seus fazedores de cultura e figuras marcantes que seguem resistindo e produzindo arte.

Parceria viabiliza Projeto Olaria
Para viabilizar a realização do Projeto Olaria neste momento, a companhia firmou parceria com o Ponto de Cultura do Sertão e com a Associação de Moradores da Cohab I, onde as aulas acontecerão. Cleilson faz questão de esclarecer que o local não se trata de uma nova sede do grupo. “A população não deve confundir. Esse não é um novo espaço da companhia. A iluminação e os equipamentos de climatização não serão utilizados e lá e sim em um espaço que nos cabe”, pontuou.
Ele também observa que, em outras realidades políticas, a companhia já teria conquistado sua casa própria. “O setor precisa entender a importância e o impacto que a companhia causa no cotidiano da cidade”, reforçou.
Prefeitura
A reportagem em contado com secretário de Cultura de Iguatu, Honório Barbosa, que informou que esteve reunido com representantes da Cia e que estão sendo alinhadas sugestões de local que possa abrigar o grupo.
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