No início desta semana, o governador do Maranhão, Carlos Brandão (sem partido), indicou o defensor público Thiago Josino Carrilho de Arruda Macedo para uma missão pouco usual no poder público brasileiro: a de prefeito ‘tampão’ do município de Turilândia, no Noroeste do Estado.
O caso parece obra de ficção, mas é verdade. A cidade, com pouco mais de 30 mil habitantes, teve o prefeito, a vice e todos os vereadores presos suspeitos de participarem de um esquema de corrupção que teria desviado até R$ 56 milhões dos cofres públicos municipais, segundo o Ministério Público local.
O caso, que ganhou repercussão nacional, começou a ser investigado ainda no ano passado. A promotoria aponta a existência de uma “organização criminosa” no coração da gestão pública que seria usada para os desvios milionários. A suspeita é que o prefeito Paulo Curió (União), que está afastado do cargo e preso, seria o lider do esquema que envolveria ainda os outros agentes públicos.
A operação fraudulenta, diz o MP, envolveria uso de empresas de fachada, laranjas e fraudes em licitações, em várias áreas, inclusive saúde e asistência social.
O avanço da investigação culminou na decisão do Tribunal de Justiça do Maranhão de afastamento e prisão dos envolvidos, evidenciando um caos administrativo iniciado ainda em janeiro e que só vai se normalizando agora.
Prazo de intervenção
Após a determinação da Justiça, o governador teve de indicar o prefeito interino para comandar a cidade pelo prazo de 180 dias, podendo ser prorrogado dependendo nas necessidades da investigação. O nome dele deve passar ainda pelo crivo da Assembleia Legislativa, mas é certo que será o prefeito pelo período.
A gravidade do caso salta aos olhos: além do prefeito e da vice-prefeita, 11 vereadores passaram pela investigação e estão em prisão domiciliar. Em outras palavras, toda a cúpula política eleita pelo voto popular foi afastada de uma só vez.
Um retrato perturbador do Brasil
O caso perturbador de Turilândia mostra como, mesmo em pleno século XXI, a corrupção segue operando de forma quase artesanal nos rincões do País, capturando prefeituras inteiras, transformando câmaras municipais em extensões de esquemas e deixando a população refém do caos administrativo.
Quando um governador precisa nomear um interventor porque não sobrou ninguém legitimado para governar, algo está profundamente errado — não apenas nesta cidade, mas no sistema de controle, fiscalização e responsabilização do poder público.
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