As conversas entre lideranças nacionais do PT e do MDB avançam com o objetivo de consolidar uma aliança para a eleição presidencial de 2026 e ampliar o apoio de partidos de centro à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O movimento ganha força nos bastidores de Brasília e reacende o debate interno nas duas siglas.
Um dos principais articuladores da ala do MDB simpática ao Palácio do Planalto, o senador Renan Calheiros (AL) afirmou que o partido pode aprovar a aliança em convenção nacional, caso Lula formalize o convite para compor a chapa.
— Se houver o convite do presidente Lula, ganharemos a convenção nacional. Na última eleição, embora tivéssemos candidata (Simone Tebet), levamos 13 diretórios para apoiar Lula. Hoje, na reeleição, a correlação é, sem dúvida, mais favorável — declarou.
Renan, no entanto, ressalta que a indicação da vaga de vice-presidente é fator decisivo para garantir maioria interna.
— Sem o convite para indicar o vice, teremos muita dificuldade no processo interno — ponderou.
A possibilidade de mudança na chapa vitoriosa de 2022, hoje formada por Lula e Geraldo Alckmin (PSB), foi mencionada pelo próprio presidente na semana passada, o que movimentou tanto o MDB quanto o PSB, que defende a permanência de Alckmin.
Dentro do MDB, as tradicionais divisões regionais voltaram a aparecer. Diretórios do Nordeste e do Norte tendem a apoiar a aliança, enquanto setores do Sul e Sudeste demonstram resistência.
No Ceará, o debate também tem reflexos. Pré-candidato ao Senado e integrante da base de apoio ao governo Lula, o deputado federal Eunício Oliveira é uma das vozes do MDB favoráveis ao palanque com o PT. Uma eventual aliança nacional fortaleceria ainda mais a coligação que os dois partidos já mantêm no cenário político cearense.



