
O presidente nacional do MDB, deputado Baleia Rossi, afirmou que o partido só decidirá oficialmente com qual força política estará nas eleições presidenciais de 2026 durante a convenção partidária, prevista para julho ou agosto.
Baleia, em entrevista à jornalista Miriam Leitão, na GloboNews, classificou como “opinião pessoal” a declaração do ministro Renan Filho favorável ao apoio ao presidente Lula.
Segundo ele, atualmente o MDB está aliado ao PT em apenas dois estados na disputa estadual. Um desses casos é o Ceará, onde o partido ocupa a vice-governadoria com Jade Romero e trabalha para garantir ao deputado federal Eunício Oliveira uma das vagas ao Senado na aliança liderada pelo PT.
CHAPA COM O PT?
Sobre a possibilidade de o MDB indicar o vice na chapa de Lula, Baleia minimizou o tema e disse ter tomado conhecimento “por ouvir falar”. Ele acrescentou que, se a ministra Simone Tebet não tivesse ingressado no governo federal, hoje seria a principal candidata de centro no cenário nacional.
Baleia também reafirmou que, em São Paulo, o MDB estará ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Nesta semana, ele se reuniu com o governador e destacou nas redes sociais o fortalecimento da aliança. Em nenhum momento, durante a entrevista, sinalizou apoio do partido à reeleição de Lula.
DIVISÃO INTERNA
As declarações contrastam com a posição do senador Renan Calheiros, que afirmou recentemente que, se Lula convidar o MDB para compor como vice, conseguiria maioria na convenção nacional. Baleia, no entanto, ressaltou que o MDB tem dinâmica própria e forte diversidade interna.
“O MDB não tem dono. É um partido plural, com diferenças regionais gritantes. Temos democracia interna que muitos não compreendem”, afirmou.
Baleia explicou que a definição partidária passa pelos delegados estaduais, escolhidos conforme o desempenho eleitoral da legenda. Segundo Baleia, o MDB apresenta perfil mais conservador no Centro-Sul, mais alinhado ao centro-esquerda no Nordeste e equilíbrio no Sudeste e Norte.
NOMES DA DIREITA
Ao comentar a eleição presidencial passada, quando o MDB lançou Simone Tebet, Baleia lamentou a polarização e afirmou que uma candidatura de centro teria mais sinergia com grande parte do partido. Ele citou ainda a proximidade do MDB com governadores do PSD, como Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite, destacando parcerias estaduais.
Sobre Simone Tebet, Baleia disse que ficaria “muito triste” caso ela deixe o MDB, elogiando sua capacidade e trajetória. Contudo, ressaltou que, em São Paulo, o partido já tem palanque definido e que eventual mudança de projeto dependerá exclusivamente da ministra.
O recado de Baleia é claro: o MDB segue dividido nacionalmente e só baterá o martelo sobre 2026 na convenção. Até lá, o partido mantém portas abertas, mas sem compromisso formal com nenhum projeto presidencial.