
O Ceará deve viver dias animados neste Carnaval, um dos períodos mais fortes dos últimos anos, com impacto direto sobre renda, emprego e circulação de consumo em diferentes regiões do Estado. A Secretaria do Turismo do Ceará (Setur) estima a chegada de mais de 210 mil turistas, alta de 12,3% em relação ao feriado anterior, com receita turística projetada em R$ 514,8 milhões, 19,6%a mais. Considerando os efeitos indiretos, a movimentação econômica total pode alcançar R$ 901 milhões, também com crescimento de 19,6%. O termômetro mais imediato desse aquecimento aparece na hotelaria. A taxa média de ocupação é estimada em 88% (avanço de 12%), com destinos operando perto do limite em pleno feriado.
Interior
Além de Fortaleza, que mantém média elevada por ser a principal porta de entrada, o interior puxa a fotografia do dinamismo. Canoa Quebrada, Jijoca de Jericoacoara e Paracuru aparecem entre os mais demandados, com ocupação em torno ou acima de 90%. Na serra, Guaramiranga desponta com 96,7%, enquanto Cumbuco (88,7%) e Porto das Dunas (84,4%) sustentam a força do litoral próximo à capital; Praia das Fontes e Morro Branco operam com 80%, e o eixo Pecém/Taíba registra 70%, sinalizando capilaridade da oferta turística.
O deslocamento de visitantes também pressiona a infraestrutura de transporte. Nas rodovias, a expectativa é ultrapassar 55,6 mil passageiros entre 12 e 18 de fevereiro, com 226 viagens extras e total de 2.328 viagens, tendo Sobral, Aracati, Canindé, Juazeiro do Norte e Canoa Quebrada entre os destinos mais procurados. No Aeroporto Internacional de Fortaleza, a projeção é de aproximadamente 100 mil passageiros entre 13 e 18 de fevereiro, com 622 voos programados, 50 extras, e maior fluxo vindo de mercados como São Paulo (Guarulhos e Congonhas), Rio de Janeiro (Galeão) e Recife.
A leitura econômica do pacote é clara. Mais turistas, maior ocupação e crescimento do fluxo aéreo e rodoviário ampliam a demanda por serviços de hospedagem, alimentação, transporte, eventos e comércio, elevando a renda em cadeias que costumam empregar intensivamente mão de obra, sobretudo no interior. Para o secretário do Turismo, Eduardo Bismarck, o avanço do carnaval como produto turístico vem ampliando o alcance do Ceará, inclusive com maior atração de visitantes internacionais, e ganha força fora da capital, onde a ocupação elevada em diversos destinos confirma a interiorização da demanda.
Na avaliação do setor, o movimento reforça uma mudança de patamar. O Ceará, tradicionalmente associado ao turismo de descanso, passa a capturar também o consumo ligado à agenda festiva, combinando permanência mais curta, alta intensidade de gastos e pulverização do fluxo por diferentes polos. Com taxa média de ocupação próxima de 90% e projeções de receita em alta de quase 20%, a temporada tende a funcionar como vitrine e, ao mesmo tempo, como teste de capacidade para serviços urbanos, mobilidade e ordenamento nos destinos de maior pressão.