
O relatório técnico do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que identificou graves irregularidades em mais de 250 mil contratos de crédito consignado do Banco Master escancara mais uma face de um problema recorrente: as fraudes sistemáticas que atingem aposentados, pensionistas e beneficiários da Previdência Social.
A apuração administrativa, concluída em novembro do ano passado, revela que 74,3% dos consignados firmados pelo banco entre 2021 e 2025 não possuem comprovação documental válida, o que coloca sob suspeita a própria existência jurídica dos empréstimos e o consentimento dos segurados. Trata-se de 251.718 contratos sem lastro, dentro de um universo de 338.608 operações declaradas pela instituição financeira.
Segundo o INSS, além da ausência de documentos, os poucos contratos apresentados exibem padrões genéricos, sem informações essenciais, como valor liberado, número de parcelas, taxa de juros e forma de pagamento. Para os técnicos, isso indica um modelo de concessão de crédito que favorece irregularidades, facilita fraudes e expõe uma população vulnerável a descontos indevidos em benefícios de caráter alimentar.
O caso do Banco Master se soma a uma longa sequência de escândalos envolvendo o uso do sistema de crédito consignado como porta de entrada para esquemas de exploração financeira de idosos e pessoas com deficiência. A combinação entre expansão agressiva de crédito, falhas de fiscalização e brechas nos sistemas de controle do INSS criou um ambiente propício para abusos, que agora estão no centro das investigações da CPMI do INSS.
Mais do que um episódio isolado, o relatório revela que o consignado, quando operado sem transparência e fiscalização rigorosa, se transforma em instrumento de drenagem silenciosa de renda de quem depende exclusivamente da Previdência para sobreviver.